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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

ALCANÇANDO AS PESSOAS SECULARIZADAS - 5ª PARTE - COMO APRESENTAR A MENSAGEM BÍBLICA ÀS PESSOAS SECULARIZADAS



A Religião: um Encontro com Deus
            De acordo com os sociólogos, é dificílimo encontrar uma definição de religião satisfatória que abranja as várias formas de religião que hoje conhecemos.
Muitas definições de religião operam com uma dicotomia básica como: profano/sagrado (Durkheim), natural/sobrenatural (Parsons), nomos/cosmos (Berger), e empírico/super empírico (Robertson)”.1

Contudo, não se encontram na Bíblia todas estas dicotomias da cultura ocidental. Não conseguimos encontrar na Bíblia uma única palavra que defina “religião”. Uns traduzem os termos gregos, θρησκεια, ευσεβεια, e λογικης λατρεια com a palavra religião, mas estes termos na verdade querem dizer adoração, piedade, observâncias devocionais. A Bíblia sublinha a importância do encontro e do relacionamento com Deus. Todo o ser humano deve converter-se a Deus e não a uma religião. Barnabé e Paulo convidaram uma multidão em Listra a converter-se ao Deus vivo (Actos 14:15). O aspecto da religião que importa realçar com as pessoas secularizadas é o encontro e o relacionamento com o Deus vivo. 

Deus, a Aliança, e o povo de Deus
            Segundo Gerhard Hasel, tanto o Velho, como o Novo Testamentos são teocêntricos. Walther Eichrodt salienta que Deus deu-Se a conhecer a Israel através de uma Aliança. Von Rad considera o relacionamento entre Deus e o povo de Israel como uma elipse em vez de um círculo. Há dois focos nesta elipse: Deus e o Seu povo. Por conseguinte, a Bíblia tem três conceitos centrais: Deus, a Sua Aliança e o Seu povo. (Ver Jeremias 31:33).

Yahweh é Único.
            O povo hebraico sempre reconheceu que Deus é único. Israel, ainda hoje, expressa a sua fé e o seu amor em Deus através da Shema, uma oração litúrgica judaica. “Ouve (Shema), ó Israel: o Senhor (Yahweh), nosso Deus é o único Senhor (Yahweh).” (Deuteronómio 6:4). Esta declaração é a fórmula básica do monoteísmo absoluto. Quando um mestre da lei perguntou a Jesus, “Qual é o primeiro de todos os mandamentos?” Ele repetiu a Shema: “Ouve, ó Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor.” (Marcos 12:29).
            Yahweh é um. Ele é radicalmente diferente, não só dos deuses das antigas religiões pagãs, mas também das muitas representações que as pessoas hoje fazem da deidade. A imagem que as pessoas formaram dEle é frequentemente diferente da que a Bíblia apresenta. Muitos fazem deuses à sua própria “imagem e semelhança”. Estes deuses são projecções da sua própria personalidade, como avisou Feuerbach. Poder-se-ia dizer de tais pessoas: “Diz-me quem é o teu deus, e eu dir-te-ei quem tu és!”. Há deuses gananciosos, violentos, libidinosos, ladrões, ascéticos, severos, cruéis, vingativos.
            O ser humano tende a ser naturalmente um adorador. Se não se adora o Deus verdadeiro, há o perigo de qualquer coisa vir a ser transformada num ídolo e ser adorada. A idolatria implica submissão e escravidão, que são muito difíceis de vencer. Deus, através de Cristo, liberta as pessoas (João 8:34-36).
            É importante apresentar Deus de uma maneira correcta de maneira a auxiliar as pessoas secularizadas a formarem uma verdadeira imagem de Deus e a estabelecer um relacionamento correcto com Ele. As pessoas secularizadas inclinam-se a pensar que Deus limita o seu desenvolvimento. É também muito importante enfatizar que um encontro, um relacionamento com Deus, não limita, mas, pelo contrário, alarga o horizonte da vida humana e cria possibilidades que outrora eram impensáveis.
            Com a entrada de Deus na vida dos seres humanos surge dentro deles uma nova visão da realidade. A vida deixa de ser limitada a este mundo, passando a ser um segmento de um “tempo infinito”. A morte não é o fim da existência humana, mas somente uma interrupção limitada até à ressurreição e à nova vida (eterna) no Reino de Deus. Aqueles que serão ressuscitados tornar-se-ão cidadãos “do céu” (Filipenses 3:20). Finalmente, eles devem reconhecer que conhecer algo a respeito de Deus não é o mesmo que conhecer Deus. A Bíblia apresenta Deus como o Pai, que Se revela aos Seus filhos e que ama todos os seres humanos e deseja estabelecer um relacionamento amoroso com eles.

Yahweh, o Criador
            A Bíblia apresenta Deus como o Criador de tudo o que existe. Esta é a distinção fundamental entre Yahweh e as outras deidades. Yahweh, que criou os céus e a terra, é o verdadeiro Deus, o Deus vivo e o Deus eterno. (Jeremias 10:11, 12).
            Se as pessoas secularizadas compreenderem que Deus é o Criador, a sua fé adquirirá qualidade. Elas aprenderão a relacionar a fé religiosa à realidade física e a ver Deus através da realidade criada. Um céu estrelado, uma floresta, um rio cristalino, e muitas outras belezas da criação revelar-lhes-ão o Criador.
            Geralmente as pessoas secularizadas fazem muitas objecções quando lhes é apresentada a doutrina da criação. O comunicador deve compreender correctamente a história bíblica da criação e estar preparado para responder claramente às objecções das pessoas secularizadas.

Duas Diferentes Interpretações Conservadoras de Génesis 1
Os Adventistas do Sétimo Dia sempre acreditaram na criação ex nihilo, mas não tem havido unidade na interpretação do primeiro capítulo de Génesis.Os Adventistas do Sétimo Dia … têm normalmente aceite como verdadeiro que foi no primeiro dia da semana da Criação, que Ele trouxe à existência a matéria que compõe a terra e que procedeu imediatamente com o trabalho nos seis dias. Porém, quase do princípio, alguns Adventistas do Sétimo Dia têm permitido que o relato de Génesis seja compreendido no sentido de que Deus falou e passou a existir a substância da terra antes dos seis dias literais da criação”.1
           
Uns assumem que a terra, a lua e as estrelas existem apenas há uns pouco de milhares de anos e que a data radiométrica observada hoje é o resultado da terra ter sido criada com a idade aparente. Outros assumem que as actividades da semana da Criação envolveram grandes quantidades de matéria inorgânica elementar que foi previamente criada há uns biliões de anos.
As pessoas que aceitam a primeira abordagem assumem que a idade aparente da matéria inorgânica e os vários estados da maturidade das estrelas são considerados como simples manifestações dos poderes criativos de Deus. No entanto, há sérias objecções a este ponto de vista.
A criação de ondas de luz aparentemente em trânsito por milhões de anos levando à evidência de que na realidade nada ocorreu é uma ilusão. Ilusões deste tipo são objectáveis pois implicam que Deus é desonesto. Porque razão deveria criar uma evidência para acontecimentos que não ocorreram? Ou porque deveria Ele achar necessário mudar as leis que governam a velocidade da luz?”.1 

Estas objecções podem ser ultrapassadas com a segunda abordagem. Uma exegese atenta do texto evitará uma apresentação inadequada do pensamento bíblico.
Uma Exegese da História Bíblica da Criação
            A história bíblica da criação, relatada em Génesis 1:1 a 2:1-3, pode ser dividida em três partes: (1) Génesis 1:1 apresenta a criação dos “céus e da terra.” Génesis 1:2 descreve a situação em que se encontrava a terra quando Deus começou a Sua acção. (2) Génesis 1:3-10 esboça a preparação do planeta Terra para receber vida. Génesis 1:11-31 delineia a formação da vida vegetal, animal e humana. (3) Génesis 2:1-3 é a descrição da instituição do Sábado como o dia sagrado de Deus e o memorial da criação.
            A história de Génesis começa com as palavras: No princípio. Quando ocorreu a criação? A Bíblia não apresenta a data da criação. O Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia reconhece que a data da Criação é uma incógnita.2 Não é somente impossível determinar a data da criação dos “céus e da terra,” mas também não é possível estabelecer a data em que Deus criou vida (nas suas três formas: vegetal, animal e humana) no pré-existente planeta Terra. Uns procuraram investigar uma cronologia através das genealogias patriarcais; no entanto há diferenças substanciais nas várias versões da Bíblia e ninguém sabe se estão completas ou não.
Os que procuram investigar a cronologia bíblica, desde a criação ao êxodo pelas listas patriarcais, pelas narrativas do Génesis… devem assumir que as listas patriarcais estão completas… Porém, este volume não atribui quaisquer datas ao período antes de Abraão”. 3

Segundo os cálculos baseados nas genealogias bíblicas relatadas na versão Massorética da Bíblia, a data da criação seria em 4179 a.C. . Nas genealogias relatadas na versão Samaritana, 4420 a.C.; nas genealogias que aparecem na versão da Septuaginta, 5665 a.C. Por estas discordâncias e por outras possíveis lacunas nas listas dos patriarcas, é impossível estabelecer uma data para quando Deus organizou a vida no planeta Terra de acordo com a Bíblia. Por outro lado, a Bíblia apresenta genealogias e não cronologias. E.G. White, pelo menos em duas diferentes ocasiões, escreveu: “Mais de seis mil anos,” “por mais de seis mil anos.”1
O que criou Deus no princípio? Deus criou os céus e a terra. O verbo usado é bara’, criar. Bara’ é um verbo cujo único sujeito é Deus. O Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia mostra claramente a diferença entre os dois verbos em hebraico: Bara (criar) e asah (fazer). É importante observar que em Génesis 1:1, existe o verbo Bara (criar) e em Génesis 1:16 o verbo asah  (fazer).
O verbo “criar” provém do hebraico bara’; a forma aqui usada descreve uma actividade de Deus, nunca dos homens. Deus criou… “um coração puro” (Salmo 51:10) e “novos céus e uma nova terra” (Isaías 65:17). As palavras em hebraico que nós traduzimos por “fazer”, ‘asah; “formar”, yasar; e outras, frequentemente (mas não exclusivamente) usadas em ligação com a actividade humana, implicam matéria pré-existente”.2

O que criou Deus? Os céus e a terra. Esta expressão pode significar o universo, como é no caso de Deuteronómio 30:19, onde Deus chama o “céu e a terra como testemunhas contra” o povo de Israel. A Bíblia e E.G. White admitiram a existência de outros mundos antes da semana da criação: veja Jó 38:4-7 (Ver quando E.G. White citou Jó 38:7 em Patriarcas e Profetas e quando escreveu sobre “os habitantes de outros mundos em Patriarcas e Profetas, páginas 331 e 332 e também no Grande Conflito, página 497).
Génesis 1:2 descreve as condições da Terra quando Deus começou a organizar o planeta a fim de receber a vida. As palavras em hebraico (tōhū bōhū) indicam que a Terra estava deserta, vazia, sem vida, mas não caótica. Esta abordagem assume que existia no planeta Terra uma “matéria” inorgânica elementar antes da criação da vida .
O versículo 2 parece identificar a terra antes da semana da Criação como… vazia, isto é, sem habitantes…. Além do que já foi dito, pode acrescentar-se o facto de que não existem referências nas Escrituras no contexto da semana da Criação que se direccionem na criação da água ou dos componentes minerais da terra seca. A única referência feita à sua criação é “no princípio.” Parece possível então que a matéria inorgânica não esteja presa por uma idade limitada como a matéria viva está…. Esta abordagem também sugere fortemente que a idade rádiométrica atribuída aos minerais inorgânicos associados com um fóssil é mais uma reflexão das características do material da origem do que uma indicação da idade do fóssil. Com esta abordagem, minimizam-se os conflitos entre a interpretação científica e a interpretação bíblica”.1

No primeiro dia Deus fez com que a luz brilhasse na superfície da Terra. Qual é a origem desta luz? Certamente que esta luz não teve a sua origem directamente de Deus. Visto um lado do planeta ser iluminado e outro permanecer em obscuridade, é impossível conceber que a luz oriunda da presença de Deus iluminasse apenas um lado do planeta. Deus é omnipresente (Ver Apocalipse 21:25).
Por outro lado, pensar que Deus criou primeiro uma fonte de luz para ser substituída pelo sol dois dias depois é uma hipótese confusa e complicada. É mais fácil pensar que a luz veio do sol, embora nos primeiros três dias não fosse possível observar o sol, mas apenas a sua luz, tal como ocorre hoje quando o sol está escondido por trás das nuvens. E. G. White afirmou que os primeiros seis dias da semana da criação foram marcados pelo “nascer e pôr do sol” (Ver Testemunhos para Ministros, 136 e Educação, 129).
            Também o escritor bíblico descreve claramente os efeitos que só a luz do sol pode produzir. Assim que a luz solar chegou à superfície da Terra, começou a ter lugar o dia, Yôm; a noite, Layil, Layelâh;, a tarde, Ereb; e a manhã, Bôqer; um seguindo-se ao outro. É claro que a Terra estava a girar em torno do seu eixo e a luz do sol iluminava a superfície da Terra.
A declaração literal “e foi a tarde [com as horas seguintes da noite] e a manhã [com as horas sucessivas do dia], o dia primeiro” é claramente uma descrição do dia astronómico, isto é, um dia com a duração de 24 horas”.2

O que aconteceu no quarto dia? O autor bíblico usa o verbo asah, fazer; e não o verbo bara, criar. No quarto dia, podia-se contemplar da superfície da Terra os corpos celestes. Eles ajudam os seres humanos a marcar as estações, os dias e os anos.
Para o problema da origem do universo, a Bíblia concedeu-nos uma solução original: a criação a partir do nada (creatio ex nihilo). A Bíblia não ensina o panteísmo das religiões orientais, nem o dualismo da filosofia grega, nem o materialismo e nem o idealismo. A Bíblia não identifica Deus com o universo. O universo não é uma emanação, mas uma criação de Deus. O universo não é eterno, mas é uma realidade criada por Deus “no princípio” (Génesis 1:1). Não encontramos na Bíblia palavras equivalentes aos termos gregos tais como, “acaso”, “matéria”, “caos”, “cosmos”. Para trazer o universo à existência, Deus não usou matéria caótica previamente existente. O mundo não é formado de matéria má e espírito bom.
Resumindo, Deus, que não tem princípio, criou o mundo a partir do nada e deu um princípio a todas as coisas. Tudo o que Ele criou era “bom, muito bom.”

A História Bíblica da Criação e a Ciência
A história que Génesis apresenta não é um “conto” lindo. Os cientistas já tentaram e continuam a tentar explicar o universo e a vida sem fazerem referência ao conceito de Deus. Porém, eles não podem explicar a origem da matéria/energia, do universo, da vida, e da dupla cadeia do ADN. Por exemplo, as partículas elementares perderam a sua corporalidade com as novas descobertas científicas. É impossível considerar “eternas” partículas cuja consistência é “etérea”! Por isso deve procurar-se a origem destas partículas numa fonte diferente e eterna – no Deus Eterno. Também não é mais possível considerar o universo como sendo eterno. De facto, de acordo com descobertas recentes, a história do universo começou num dado momento, no momento da explosão do super átomo (segundo a teoria do “Big bang”, da “Grande Explosão”) e terminará quando (de acordo com o segundo princípio da termodinâmica)1 a sua própria energia se esgotar. Os cientistas não sabem nada de uma história que precede o “big bang”.
Segundo o famoso astrónomo, Paolo Maffei, se o universo foi preparado e tem um propósito, então os seres humanos são obrigados a acreditar num Deus que criou o universo, o que implica uma maior “complexidade e espiritualização da matéria.”2  Paul Davies, um físico ilustre, declara que, falar-se de um universo que se criou a si próprio não tem sentido pois os problemas ainda permanecem. Ninguém sabe quem produziu o modelo matemático de acordo com o qual o universo foi elaborado e porque temos um certo tipo de universo e não outro.1
A ciência não tem sido capaz de explicar a origem da vida porque não pode explicar a origem do código genético. De acordo com Jacques Monod, um biólogo evolucionista famoso,
O código não faz sentido a não ser que seja traduzido. A maquinaria moderna da tradução de células consiste de, pelo menos, cinquenta componentes macro moleculares que são codificados no ADN; o código só pode ser traduzido por produtos de tradução. É a expressão moderna de omne vivum ex ovo. Quando e como é que este círculo se fechou? É excessivamente difícil imaginar”.2

            O código genético permite que proteínas formem instruções a partir dos ácidos nucleicos, e não vice-versa. Para a formação deste código é necessário pensar num Criador que o elaborou.3
            Quanto à origem da cadeia, é importante esclarecer que não há provas para a macroevolução (a evolução da cadeia), mas apenas para a microevolução (as modificações produzidas em indivíduos da mesma espécie com a formação de novas espécies similares, que pertencem ao mesmo “tipo”). A microevolução não é contrária aos ensinos da Bíblia, porque estas modificações ocorrem apenas dentro dos tipos (min) criados por Deus. 4
            Em resumo, é possível afirmar que os cientistas e, consequentemente, as pessoas secularizadas podem adoptar duas posições possíveis no que respeita ao problema da origem da realidade física e biológica: ou uma atitude agnóstica, segundo a qual se admite a incapacidade de explicar a origem do universo; ou a posição criacionista, segundo a qual se reconhece que foi Deus quem criou o universo. A resposta agnóstica (eu não sei) não é realmente uma alternativa verdadeira pois não constitui uma resposta ao problema.

________________________________
1 Paul Davies, La mente di Dio (A mente de Deus), (Milano: Mondadori, 1993), 278,279.
2 Jacques Monod, Chance and necessity (Acaso e necessidade), (New York: Alfred A. Knopf,1971), 143.
3 Buonfiglio, Ciencia o Dios? (Ciência ou Deus?), 199-262.
4 Ibid., 313-315.


Deus falou
            Deus, o Deus Absconditus (Isaías 45:15), esconde-Se a fim de deixar o homem livre para fazer as suas escolhas. Deus não deseja assustar o homem com o Seu poder ilimitado. Deus afasta o véu e revela-Se aos seres humanos que desejam comunicar-se com Ele. A Bíblia é um meio que Deus usa para Se comunicar com os homens.
            As pessoas secularizadas conhecem muito pouco a respeito da Bíblia, e muitas vezes esse pouco é incorrecto. É necessário ajudá-las a estudar, amar e a compreender correctamente a Bíblia. Por exemplo, as pessoas secularizadas têm dificuldade em compreender a linguagem bíblica, porque são incapazes de ver a diferença entre a mensagem da Bíblia e a linguagem que transmite a mensagem. É muito importante auxiliar as pessoas secularizadas a aprenderem a separar a mensagem bíblica das formas da linguagem e da cultura que os escritores da Bíblia usam. Deus é o Autor da Bíblia, mas ela foi escrita por homens.
A Bíblia foi escrita por homens inspirados, mas não é a maneira de pensar e exprimir-se de Deus…. Não são as palavras da Bíblia que são inspiradas, mas os homens é que o foram. A inspiração não actua nas palavras do homem ou em suas expressões, mas no próprio homem que, sob a influência do Espírito Santo, é possuído de pensamentos. As palavras, porém, recebem o cunho da mente individual…. A mente divina, bem como a Sua vontade, é combinada com a mente e a vontade humanas; assim as declarações do homem são a Palavra de Deus”.1

É extremamente importante que as pessoas secularizadas compreendam que a linguagem da Bíblia é uma linguagem humana, que os autores da Bíblia foram inspirados, não as palavras e as expressões que eles usaram, e que a mensagem bíblica está necessariamente “incorporada” na cultura hebraica. Para se compreender a linguagem e o conteúdo da Bíblia, é necessário compreender a mentalidade e a cultura hebraica.
Obviamente, a cultura dos hebreus não era apenas o produto do seu ambiente, mas era continuamente transformada pela Palavra de Deus que lhes era apresentada pelos profetas. Deus condenava a idolatria, a imoralidade sexual pagã, as práticas económicas e políticas corruptas. Deus teve o cuidado para que a Sua mensagem nunca fosse contaminada pela cultura e religião do povo pagão.
A língua hebraica é pobre em conceitos abstractos e prefere o uso de imagens concretas. A Bíblia fala das mãos, da boca, do coração, dos olhos, dos pés, e do braço de Deus (estes são antropomorfismos -- atribuições das características e actividades humanas a Deus). A Bíblia afirma que Deus Se entristece, sente dor, alegria, ódio, etc. (isto é antropopatia – atribuições das emoções humanas a Deus). Apesar de os antropomorfismos e a antropopatia terem sido um meio eficaz para exprimir a vitalidade e a personalidade de Deus, é necessário reconhecer o perigo de transformar Deus num ser humano.
Em Génesis 6:6 está escrito: “Então arrependeu-Se o Senhor de haver feito o homem na terra, e isso Lhe pesou no coração.” Mas a mesma Bíblia esclarece que Deus não é um homem e que Ele nunca muda (Ver Números 23:19; Tiago 1:17; Isaías 40:25, 26). Resumindo, os escritores da Bíblia exprimiram as verdades inspiradas por Deus através de uma linguagem humana (Ver João 3:11-12 e Actos 2:11).

Deus Actua na História Humana
            As pessoas secularizadas consideram Deus completamente indiferente e despreocupado no que concerne às actividades humanas. É necessário mostrar-lhes que Deus actua nos eventos humanos (Neemias 9:7, 8). Para Israel, o tempo não era circular, e a história não é uma repetição de ciclos infinitos, sem qualquer propósito futuro. Na Bíblia, o tempo é linear. O tempo bíblico pode ser graficamente representado como uma linha infinita, na qual dois pontos representam respectivamente a criação original (ponto A) e a nova criação (ponto B). A linha é dividida em três partes: a era passada, representada pela parte da linha que vai do ponto A para ao infinito; a era presente (este século, II Coríntios 4:4), representada pelo segmento AB; e a era futura (o mundo vindouro, Mateus 12:32), representada pela parte da linha que vai do ponto B ao infinito. Enquanto o termo “Era” indica cada uma das três divisões da linha do tempo, καιροs indica um ponto de tempo definido. Somente Deus pode fixar datas ou tempos (καιροι) (Actos 1:7) nos quais Ele actua na história das pessoas e dos indivíduos.
            É muito importante mostrar às pessoas secularizadas que Deus cuida dos seres humanos. A história da humanidade não é nem uma repetição contínua de ciclos infindos, nem um conjunto de acontecimentos caóticos sem um fim determinado no horizonte. Deus estabeleceu um fim (τελοs, Mateus 24:14), o ponto B, no qual “Ele  há-de julgar o mundo” (Actos 17:31) e cumprirá as Suas promessas, criando “um novo céu e uma nova terra” (II Pedro 3:13).

Deus é amor
            As pessoas secularizadas devem compreender a verdadeira natureza de Deus. O apóstolo Paulo escreveu: “Mas Deus dá prova do Seu amor para connosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós.” (Romanos 5:8). O apóstolo João exprime o mesmo conceito: “Aquele que não ama, não conhece a Deus; porque Deus é amor.” (I João 4:7,8). A palavra que ambos os apóstolos utilizam é αγαπη, amor. Mas qual o significado desta palavra grega? Na língua grega, as três palavras comuns usadas para expressar o amor são: ερos, Фιλια, e αγαπη. As três palavras têm significados diferentes: (1) Eρos (paixão), significa um amor apaixonado, um desejo e aspiração ardentes. Tinha um significado particular quando usado em ligação a rituais religiosos; (2) Фιλια (amizade), significa o amor de amigos para amigos, um amor platónico. Era um sentimento enquadrado num âmbito humano; (3) Aγαπη, agape, não continha nada de mágico: Era um amor que escolhia livremente o seu objecto e dava tudo pelo outro. Em contraste, Eρos era um amor que procurava sempre satisfação, determinado por uma indefinida paixão direccionada a um objecto.
            Deus é um Deus de amor (agape), que ama as pessoas boas e más (Mateus 5:44, 45). Somente um Deus que é amor e misericórdia, um Deus que cuida dos seres humanos, que sofre quando eles sofrem (Isaías 57:15), que Se alegra quando eles estão alegres, pode atrair as pessoas secularizadas. Deve apresentar-se esta verdadeira imagem de Deus às pessoas secularizadas se quisermos ajudá-las a recuperar um sentido do divino e a estabelecer um relacionamento correcto com Ele.



1 Peter Beyer, Religion and Globalization (Religião e Globalização) (London: Sage Publications, 1994), 5.
1 Seventh-Day Adventist Encyclopedia (Enciclopédia Adventista do Sétimo Dia) (Washington, D.C.: Review and Herald, 1967), 357.
1 Clyde L. Webster, Jr., The Earth (A Terra) (Washington, DC: Office of Education, North American Division, General Conference of Seventh-Day Adventists, 1989), 41, 42.
2 The Seventh-Day Adventist Bible Commentary (O Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia) (Washington, DC: Review and Herald, 1978), 1:195.
3 Ibid.
1 Ellen G. White, “How to Meet Temptations,” (“Como Enfrentar as Tentações”) “The Signs of the Times” (Os Sinais dos Tempos) (Oakland, CA: International Tract and Missionary Society, September 29, 1887), 13:153. Ellen G. White, and James White. Christian Temperance and Bible Hygiene (Temperança Cristã e Higiene Bíblica). (Battle Creek, MI: Good Health Publishing Company, 1980), 154.
2 The Seventh-Day Adventist Bible Commentary (O Comentário Bíblico Adentista do Sétimo Dia), 1:208.
1 Webster, The Earth (A Terra), 42, 43
2 The Seventh-day Adventist Bible Commentary, (O Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia), 1:210.
1 De acordo com o segundo princípio da termodinâmica, toda a energia no universo tem a tendência para se virar para um estado de uniformidade inerte (entropia).
2 Paolo Maffei, L` Universo nel tempo (O Universo no tempo), (Milano: Mondadori, 1982),357.

1 Ellen G. White, Selected Messages (Mensagens Escolhidas), (Hagerstown, MD: Review and Herald Publishing Association, 1986), 21.

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