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quarta-feira, 14 de maio de 2014

DANIEL 8 VISLUMBRE DA HISTÓRIA


 

 


 
Deus revelou o desenrolar de eventos que determinam o surgimento e a queda das grandes potências



 

profecia de Daniel 8, assim como a do capítulo 7, é muito importante. Nela se nota uma perspectiva histórica que também se estende até os tempos da “restauração de todas as coisas” (Atos 3:21), isto é, os nossos dias, com a diferença de que essa profecia começa com o domínio dos persas.

Quando se indaga o motivo da não inclusão do império babilônico no material profético, geralmente se afirma que este império estava chegando ao fim e não havia mais espaço para ele na profecia. De fato, a visão foi dada “no ano terceiro do reinado do rei Belsazar” (verso 1), em 550 a.C, Belsazar foi o Ultimo rei de Ba­bilônia. Todavia, a visão anterior (a do capítu­lo 7) foi dada só dois anos antes, e Babilônia, embora já declinasse em poder, é incluída. Além disso, quando a visão do capítulo 8 foi dada, o império tinha ainda onze anos de do­mínio pela frente. Como veremos, a razão para Babilônia não ser referida é outra, muito mais condizente com o teor da profecia.

O conteudo básico de Daniel 8 é a profecia da purificação do santuário. Ela alcança a cul­minância no verso 14, onde se lê: “Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado.”  Estas palavras foram proferidas por um anjo e,  naturalmente, causaram profunda impressão no profeta, um judeu cativo em Babi­lônia, que em 586 invadira Jerusalém e arrasara a cidade e o templo. Este ainda jazia em ruínas, mas Daniel sabia, pela promessa divina, que o período de setenta anos do cativeiro (Jer 25:11; 29:10) estava chegando ao fim. Agora, um ou­tro período de tempo foi referido, e ele sentiu que as palavras estariam, de alguma forma, liga­das à situação de seu povo.

A afirmação do anjo realmente tinha a ver com a experiência do povo de Deus, mas de modo muito mais amplo e significativo do que o profeta sequer poderia imaginar. Se a profecia se estende até os nossos dias, é inevi­tável a conclusão de que o verso 14 está ago­ra em processo de cumprimento. Isso indica que o santuário referido não pode ser um templo de construção humana.

O clímax da visão, Daniel 8:14, é, na realida­de, o seu ponto final. Depois deste lance, tudo o que temos é uma interpretação do que Daniel presenciam e ouvira (versos 17-26). Esta inter­pretação foi dada pelo anjo Gabriel (verso 16). O que, exatamente, teria o profeta visto de tão im­portante para que o mais poderoso anjo do Céu viesse explicar? O que era tão terrível para que o santuário divino necessitasse uma purificação?

Bem, novamente Daniel vê o desenrolar de eventos que determinam o surgimento e a que­da de remos que exercem domínio na Terra. E novamente animais são usados como símbolos. Mas, se em Daniel 7 estes se carac­terizam por figuras de monstros sanguinários, aqui os sim­bolos são mais amenos, mais condizentes com a normalidade da natureza: um carneiro (verso 3) e um bode (verso 5), tão antagônicos que o segundo destrói o primeiro (verso 7).

E possível que Deus tenha usado a figura desses animais para estimular em Seu povo no exílio um senso de confiança em Suas provi­dências. Carneiros e bodes eram os animais co­mumente utilizados no ritual do santuário ju­daico. O ritual era dividido em duas fases dis­tintas, o ministério diário, ou contínuo, e o mínis­tério anual, conhecido como o Dia da Expiação, quando carneiros e bodes entravam em cena (Lev. 16:3-10). Parece que Deus queria mostrar que, assim como os judeus tinham autonomia sobre os animais utilizados na liturgia do tem­plo, assim Deus tinha total controle das circuns­tâncias criadas pelos inimigos de Seu povo.

Poderes em ação - Diz o profeta que o carneiro tinha dois chifres, um mais alto que O outro, e que o mais alto “subiu por último” (verso 3). Além disso, “o carneiro dava marradas para o ocidente, e para o norte, e para o sul” (verso 4). Gabriel interpretou este símbolo como representativo do império medo-persa (verso 20). A Média, de início, se destacou; poste-dormente, a Pérsia sobrepujou a Mé­dia e absorveu-a. As marradas nas três direções referidas se cumprem nas três principais conquistas da Pér­sia: Síria, Babilônia e Egito, respecti­vamente em 547, 539 e 525 a.C.

“0 bode,” Continua o profeta, “vi­nha do ocidente” com tal velocidade que parecia não tocar o solo; “tinha um chifre notável entre os olhos”, com o qual avançou contra o carnei­ro derrubando-o e matando-o (ver­sos 5-7). Segundo Gabriel, este ani­mal simboliza o império grego/ma­cedônico (verso 21), que partiu do ocidente para o domínio mundial. O chifre notável é uma apropriada re­presentação de Alexandre Magno, “o primeiro rei” (verso 21), e sua velocidade retrata a rapidez de ação do grande conquistador. Alexandre conseguiu, em três decisivas bata­lhas (Grãnico em 334, Issus em 333 e Arbelas em 331), se apoderar do império persa.

Tendo destruído o carneiro, o bode se “engrandeceu sobremaneira”, e teve seu “chifre notável” quebrado e substituído por outros quatro, na di­reção dos pontos cardeais (verso 8). A interpretação de Gabriel (verso 22) é praticamente um relato literal do que ocorreu na História. Alexandre, no auge do domínio, veio a falecer, deixando o império para quatro de seus generais: Cassandro, Lisimaco, Seleuco e Ptolomeu.

O que ocorre em seguida é fun­damental para a compreensão desta profecia. “De um dos chifres saiu um chifre pequeno e se tornou muito forte para o sul, para o oriente e para terra gloriosa” (verso 9). Muitos intérpretes afirmam que este “chifre pequeno” é Antíoco Epifânio, da linhagem de Selêuco, e que dominou entre 175 e 164 na Sí­ria. É suposto que a profecia esteja fazendo alusão principalmente às tentativas deste rei de helenizar os judeus, e a seus atos sacrílegos no templo de Jerusalém.

Esta interpretação deve ser defi­nitivamente rejeitada porque a traje­tória de Antíoco não corresponde aos termos da profecia, muito me­nos à interpretação de Gabriel. Se­gundo o anjo, o chifre pequeno re­presentava um poder que se levanta­ria no “fim” do reinado dos quatro chifres, “quando os prevaricadores” acabassem (verso 23). Em outras palavras, o poder representado pelo “chifre pequeno” entraria em cena apenas quando o domínio da linha­gem dos quatro generais de Alexan­dre chegasse ao fim. Antíoco Epifâ­nio, todavia, dominou cerca de 100 anos antes do reino selêucida se aca­bar em 65 a.C. Depois de Epifânio, mais 14 reis ocuparam o trono da Sí­ria. O reino dos ptolomaidas ao sul, outro dos quatro chifres, acabou so­mente no ano 30 a.C. Antioco, portan­to, não cumpre o que foi previsto pelo anjo. O poder representado pelo chifre pequeno seria um novo império, pois se apossaria do que antes pertencera a Alexandre.

Além disso, a interpretação epifa­nista se choca com as afirmações de Jesus, em Sua alusão ao livro de Daniel (ver Mat. 24:15; Mar. 13:14; Luc. 21:20). Para Ele, o cumprimento da profecia do chifre pequeno aguardava pelo futuro; simplesmente as abomi­nações referidas nos versos 11-13 não poderiam ter se cumprido com Epifâ­nio, 200 anos antes. Roma, o império seguinte, é o único poder que cumpre os dados proféticos. Por exemplo, o tornar-se forte para o sul, para o orien­te e para a terra formosa se cumpre na conquista romana do Egito em 30, da Síria em 65 e da Palestina em 63.

Mas como cumpre Roma as outras especificações proféticas (versos 10-12), principalmente aquelas relacio­nadas com o santuário? Que santuá­rio é esse e o que significa a sua purificação? O que tal purificação tem a ver com os nossos dias? Aguarde. ~

 


 

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