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domingo, 4 de fevereiro de 2018

VALOR PESSOAL



Valor pessoal

As pessoas amadas e valorizadas têm mais chance de sucesso

“A sensação de ser amado dá à pessoa a noção de existir, ao mesmo tempo em que agrega um valor positivo à existência”

Augusto César Maia é psicólogo clinico em Campinas, SP.

Quando nos sentimos amados, desco­brimos o sentido da vida, pois viver ser capaz de amar, e só ama quem foi amado. A condição para ser al­guém e ter sido amado. Por isso, amar é fazer al­guém; é formar uma pessoa.
É a capacidade de relacionar que faz de nós pessoas. Você só existe nesse processo relacio­nal. O ser humano é por natureza feito para viver em sociedade, para relacionar-se com os semelhantes. E diariamente. em tempo inte­gral, estamos nos relacionando com pessoas diferentes, culturas diferentes, maneiras de pensar diferentes. O que nos mantém unidos de maneira satisfatória, apesar de todas as di­ferenças, é o amor.
Jesus deixou bem clara a necessidade de desenvolvermos uma boa relação conosco e com os outros quando ensinou: “Ama o teu próximo como a ti mesmo.” É evidente nesse ensinamento que, para nos relacionarmos com os outros, precisamos primeiramente aprender a relacionarmos conosco. O lema so­crático “conhece-te a ti mesmo” é um princí­pio básico para amar o próximo.
O ser humano precisa conhecer o que se passa dentro de si mesmo, o que sente, pensa, imagina, quer, sofre e motiva ações, atitudes e valores para poder amar o próximo. Ou seja, é preciso ter autoconsciência. Essa noção se for­rna na infância e vai sendo ampliada durante a vida, pelo acúmulo das experiências positivas e negativas. É o ambiente familiar que primeira­mente transmite a noção de que a criança é ca­paz, passando a idéia de que seus pensamen­tos, sentimentos e ações têm valor ou impor­tância. E na família que a criança aprende a ter confiança na sua ca­pacidade de realizar. Se nas ex­periências familiares ela ad­quiriu a convicção de que é uma boa semente, po­derá enfrentar os desa­fios da vida com a certe­za de colher bons frutos.
Para isso, o ser hu­mano precisa se sentir amado e valorizado como individuo único e especial. Pois cada um quer ser amado por ser ele mesmo. E exatamente o fato de ser único, com suas experiências e emoções, com suas histórias de vida tão particulares e diferentes, que o torna tão especial. A sensação de ser amado dá à pessoa a noção de existir, ao mesmo tempo em que agrega um valor positivo à existência. Realça a autoconfiança e, princi­palmente, ensina a amar.
A necessidade de receber amor surge como uma experiência positiva fundamental desde a gestação. A criança gerada com amor tem mui­to mais condições de ser receptiva ao afeto. E depois que nasce, continuando a recebê-lo, tenderá a retribuir tudo o que receber. Por isso, as pessoas que tiveram uma noção positi­va de si mesmas, por terem sido amadas, valo­rizadas, incentivadas e elogiadas, são as mais altruístas e de maior sucesso. Não desenvol­vem bloqueios com respeito a suas fraquezas. Não duvidam do próprio potencial, apesar das suas limitações. Sentem-se capazes e merece­doras de sucesso, apesar dos fracassos. Gostam de si mesmas e se relacionam bem com os fa­miliares, os companheiros de trabalho e as pessoas em geral. São capazes de arquitetar ob­jetivos, construir sonhos e transformar nobres desejos em realidade.
As ligações entre as pessoas ficam mais fortes quando se tem unta noção positiva sobre si mes­mo. Ou seja, sempre que eu me valorizo, dou também valor a quem está ligado a mim. Não me refiro ao valor-vaidade, ao orgulho que dá ensejo ao egoísmo, mas ao valor verdadeiro, que visa ajudar e construir, que aprecia a pessoa, sem levar em conta o seu desempenho.

Pessoas com auto-estima elevada são mais sadias psicologicamen­te, menos solitárias e mais so­lidárias, contribuindo para gerar crescimento pessoal e coletivo. Pois somente pessoas que se valorizam podem valorizar outras pessoas. Esse valor dá a li­berdade de crescer e se de­senvolver.
Sinais dos Tempos    Janeiro-Fevereiro/2003

UMA CASA PARA OS JUDEUS



Uma casa para os judeus


Líder de comunidade judaica fala sobre características e costumes do povo judeu

Apesar de o Holocausto nazista ter ceifado uma imensa população judai­ca, o povo judeu sorna mais de 13 mi­lhões de pessoas no mundo. Só no Brasil há 130 mil.
Que costumes eles ainda preser­vam dos tempos bíblicos e como vive essa nação peregrina? Para responder a perguntas como essa, Sinais dos Tempos buscou o professor Reinaldo W Siqueira. Especialista na teologia do Antigo Testamento e com a expe­riência de alguns anos em Israel, Siqueira dirige uma comunidade judai­ca em São Paulo, chamada “Casa dos Filhos de Sião”, urna sinagoga que reúne judeus e evangélicos. Ele co­meçou seus estudos em teologia no Brasil e concluiu graduação e mestra­do na França. Fez doutorado na área de exegese e teologia do Antigo Testa­mento, nos Estados Unidos. Há três anos ensina Línguas e Exegese Bíbli­ca, no Seminário Latino-Americano de Teologia, localizado em Engenhei­ro Coelho, interior de São Paulo.
Siqueira define a “Casa dos Filhos de Sião” como um local para diálogo aberto e respeitoso entre comunidade judaica e cristãos, cujo objetivo é promover o conhecimento e respeito pelas raízes da fé cristã”.
Veja os principais trechos da entre­vista:

Sinais dos Tempos: Quantos judeus há no mundo hoje e onde estão concentrados?
Dr. Reinaldo Siqueira: Estima-se que a população judaica no mundo seja de 13 a 14 milhões. Muitos judeus per­deram totalmente o contato com a comunidade e as instituições judaicas do pais onde eles residem e não estão portanto incluídos nessa estatística.
Cerca de 6 milhões e 200 mil ju­deus vivem na América do Norte, sendo que 5 milhões e 800 mil destes nos Estados Unidos. Israel vem em segundo lugar com cerca de 4 mi­lhões e 600 mil judeus. Depois a Eu­ropa, com um pouco mais de 2 mi­lhões e 300 mil. Na América do Sul calcula-se cerca de 500 mil judeus. Na África, a grande concentração de judeus se encontra na África do Sul, com cerca de 106 mil. O último gran­de foco de população judaica se en­contra na Austrália, com cerca de 100 mil judeus. Uma listagem e estatística mundial detalhada, por país, pode ser encontrada no website http://www.vj­world. com.

Sinais:  E no Brasil?
Siqueira: Em nosso país há cerca de 130 mil judeus, sendo que 60 mil se encontram na cidade de São Paulo, e outros 40 mil no Rio de Janeiro. Co­munidades judaicas menores existem em praticamente cada capital dos Es­tados brasileiros

Sinais: Como é constituída esta popula­ção judaica mundial?
Siqueira:  Quanto à origem e cultura, há dois grandes grupos de judeus no mundo: os asquenazis e os sefaraditas. Os asquenazis são provenientes da Europa Central, do Norte e Oriental, e são o grupo mais numeroso da popu­lação judaica. Muitos deles ainda fa­lam o yiddish (um dialeto do alemão que incorpora vários termos hebrai­cos e que faz uso do alfabeto hebraico para a escrita). Já os sefaraditas são provenientes de regiões do ocidente e sul da Europa, norte da África e Oriente Médio. Espanha e Portugal éo lugar de origem desse grupo. Al­guns deles ainda falam o Ladino, que corresponde basicamente ao Caste­lhano do final da Idade Média.
Há grupos minoritários de judeus como os Benei Israel da Índia e os Fa­lachas da Etiópia. Em sua língua ma­terna e aspectos físicos eles são seme­lhantes aos seus conterrâneos india­nos e etíopes, respectivamente. A maioria dos Benei Israel, no entanto, e praticamente a totalidade dos Fala­chas hoje vivem em Israel, se inte­grando à cultura e vida desse pais.

Sinais: Quais são as características reli­giosas do povo judeu?
Siqueira: Há judeus religiosos e não-re­ligiosos. Entre os religiosos, se desta­cam os ortodoxos, os conservadores, os reformados e os reconstrucionis­tas. Os ortodoxos consideram a lei de Moisés (a Torá) autoritativa e têm as Escrituras como a revelação de Deus. Observam de forma criteriosa as leis alimentares do judaísmo. A liturgia é feita em hebraico. Crêem na vinda de um Messias pessoal para estabelecer o reino de Deus na Terra.
Os conservadores mantêm os prin­cípios da fé judaica, mas buscam uma adaptação da Torá e da tradição judai­ca às realidades da vida moderna.


Sinais dos Tempos       Maio-Junho/2000

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

TOQUE DE EQUILIBRIO



Toque de equilíbrio
A disciplina apropriada é uma forma de amar e ajudar no processo de socialização

“O modelo educacional rígido reforça a imaturidade, o egoísmo, o individualismo e a brusca do irreal”.

Augusto César Maia  é psicólogo clinico em Campinas SP.

Costumamos pensar que o castigo provoca arrependimento na criança. Porém, ele quase sempre produz sentimentos de medo, vingança e culpa. Pais e educadores que machucam, ofen­dem e castigam suas crianças poderão exercer controle sobre elas, mas não as tornarão pes­soas dignas, felizes, com amor-próprio e matu­ridade para enfrentar o mundo. Ao contrário, estarão formando pessoas imaturas e com se­rias dificuldades para dar e receber amor.
Todavia, é bom deixar claro que as sanções de pai e mãe não fazem mal algum se forem seguidas de amor, dentro de um princípio de respeito mútuo e reciprocidade. Pois estabele­cer a disciplina apropriada é uma forma de amar e de se relacionar com a criança, ajudan­do-a a dar sentido à vida e a criar responsabi­lidade por suas ações.
É importante ressaltar ainda que disciplina não é punição. Punir implica em ferir alguém em retribuição, ou revidar uma ofensa. Isso é feito por nossa causa e não por causa do ultra­je. Nenhuma quantidade de punição levará à submissão duradoura. Em alguns casos, quanto mais os pais punem, mais os filhos re­taliam, e os pais em desespero gritam: “Não sei mais o que fazer.” Em muitos casos, o re­sultado é desastroso para a família.
Quando uma criança é constantemente pu­nida por alguma falta especial, não só adquire o sentimento de que está sempre erra­da, mas também se tor­na receosa de cometer erros. Se ela não consegue alcançar o sucesso ou se man­ter no topo (fazer as coisas “certas”), será desprezada, re­jeitada, pois quem erra fica à margem.
Se alguém é educa­do com idéias tão rígidas em relação ao erro, ao pri­meiro sinal de aparente fracasso desmorona e fica em ruínas.  Quando as pessoas elaboram uma maneira de ver o mun­do através de uma rigidez opressiva, monóto­na e sem esperança, muitas vezes buscarão o álcool, as drogas, a violência, o perfeccionis­mo ou o misticismo como válvula de escape.
O modelo educacional rígido reforça a ima­turidade, o egoísmo, o individualismo e a bus­ca do irreal. Esse tipo de educação é inade­quado e ineficiente, pois não existe uma ma­neira de aprendizagem que seja por si só isen­ta do erro. Precisamos exercer constante vigi­lância para não desenvolver inconscientemente um modelo errôneo de educação.
No modelo errado, as pessoas valorizam aquilo que precisam fazer e rninimizam o que podem realizar. Como conseqüência, o estar er­rado significa ser rejeitado pelo outro que nos é significativo. O erro passa a ser motivo de ver­gonha, aumentando o medo de ser punido. Por­tanto, podemos dizer que a busca de estar sem­pre certo estará associada diretamente ao medo da punição e à baixa auto-estima da pessoa. Es­tar certo todo o tempo adquire um enorme va­lor e se torna aos poucos uma grande obsessão.
O  problema é que há sempre o perigo de se estar errado, e de que a auto-estima, ao ser destruida (punida) a partir da ridiculariza­ção do erro, gere uma angústia crônica. A personalidade estará tão comprometida em acertar que, na vida adulta, poderá fi­car relutante em aceitar que uma
idéia sua possa estar errada. Isso acontece pelo simples fato de que o que está em jogo não é a idéia em si, mas o medo da punição.
A disciplina, ao contrário da puni­ção, coloca a criança como mais im­portante que o erro; é feita por cau­sa da criança, para ajudá-la a ser uma pessoa equilibrada. Quem disciplina tem em mente que o disciplinado é um ser que aprende com seus erros, com as experiências e as conseqüências que seus atos acarretam.

Sinais dos Tempos          Novembro-Dezembro/2002


TERAPIA DIVINA



Terapia divina

Abrir o coração a Deus coloca o indivíduo em contato com a realidade interior e promove crescimento

“Mesmo sabendo de tudo o que vamos dizer, Deus pede que falemos, porque isso nos ajuda a perceber o que está acontecendo”
Augusto César Maia é psicólogo clinico em Campinas, SP.

O

objetivo de qualquer psicoterapia é promover o crescimento do indi­víduo, pelo restabelecimento de um maior contato com a realidade intima. Em geral, todo problema neurótico es­tá relacionado com a distorção da realidade. Quando entramos num ambiente desconhecido e nossa auto-estima está baixa, imaginamos que as pessoas ali estão fa­zendo algum comentário crítico sobre nós. Isso éuma distorção, fruto de um distúrbio neurótico.

Toda distorção da rea­lidade é compensada por atitudes específicas. O neurótico tem medo dos seus sentimentos de temor. Encobre-os com unia exagerada ex­pressão de coragem, manifes­tada por uma atimde corporal fixa.
Seus ombros ficam em posição de luta, o peito inflado e o abdómen retraído. A pessoa não está consciente de que essa atitude é uma defesa con­tra o medo, até que descobre que não pode bai­xar os ombros, relaxar o peito ou descontrair o abdómen. Quando essas tensóes musculares são liberadas, o medo e sua causa histórica freqüen­temente emergem na consciência. Tomar cons­ciente o que ficou inconsciente é uma condição para a cura psíquica e espiritual.

Medo da dor — O tratamento espiritual que Deus prescreve ao cristão é a oração. Um momento de meditação e reflexão, em que o indivíduo se olha e vê suas necessidades. Esse reconhe­cimento da carência é psicoterapêutico. Por isso, o importante não são as palavras bonitas, mas a atitude no ato de orar. Nesse abrir do coração, Deus torna-Se o maior psicólogo. Mesmo sabendo de tudo o que vamos dizer, Deus pede que falemos, porque isso nos ajuda
a perceber o que está acontecendo. Essa per­cepção é o primeiro degrau em direção à cura.
Porém, temos tendência a rejeitar ou negar a realidade. Essa propensão é manifestada quando a realidade se torna adversa. Não su­portamos conviver com a dor. Fabricamos, en­tão, uma realidade artificial, em que a dor de viver não existe ou é atenuada. Quando não conseguimos mais suportar a Convivência com a verdade, desenvolvemos os mecanismos de defesa, pelos quais a realidade é adulterada.
Como conseqüência, pagamos um alto preço, vivendo uma vida hipócrita, vazia e sem Deus, mesmo professando Seu nome Retemos o pran­to e libertamos o riso. Camuflamos a tristeza e vestimos a fantasia do “sempre alegre”. Falsifica­mos a realidade e construímos uma vida menti­rosa diariamente. Mentimos com tanta “sinceridade” que passamos a aceitar a farsa como verdade. Dessa forma, aos poucos per­demos a capacidade te­rapêutica da oração.
Aceitação e crescimento -   Con­tudo, a verdadeira oração nos faz entrar em contato com a realidade e aceitá­-la. Passo a passo, Deus nos mostra que Sua tera­pia é a verdade e nos si­naliza que viver em Sua paz não significa, neces­sariamente, que as condições externas desfavoráveis devam ser mudadas. Jesus disse: “No mundo, passais por aflições” (João 16:33). A paz deve estar presente mesmo diante das circunstâncias mais difíceis. “Pai, se queres, passa de Mim este cálice; contudo, não se faça a Minha vontade, e sim a Tua” (Lucas 22:42).
Embora para alguns possa ser um tempo de fuga da realidade, a oração é, na verdade, o mo­mento de maior consciência, uma vez que se baseia no conhecimento e na experiência parti­cular do individuo. Na primeira etapa, a oração abre-nos a consciência. Depois, abre-nos para um relacionamento com Deus. Encontrar-se com Deus envolve amadurecimento.
Pessoas em tratamento psicoterapêutico sa­bem que não podem negar continuamente a rea­lidade do sofrimento ou do prazer. Evitar os pro­blemas não é o caminho para resolvê-los. Para essas pessoas, orar é testificar que existem mu­danças a serem feitas. A oração abre-lhes uma perspectiva interior de cura e crescimento.


SEXUALIDADE HUMANA




SEXUALIDADE HUMANA

O Reino de Deus - Apostila Dr. Richard Rice - Prof. Da Universidade Adventista – La Sierra – California - USA
Curso de Atualização Teológica

O relato bíblico da criação indica que os seres humanos são  essencialmente sexuais, assim como físicos e  sociais. Ele declara que Deus criou o homem macho e fêmea (Gênesis 1:26). De certo modo, esta dimensão da existência humana incorpora as outras duas e as eleva a outro nível. Em um nível sexualidade é algo físico. Os corpos de homens e mulheres apresentam diferentes aspectos e são capazes de diferentes funções. Em outro nível, o sexo é social também. A atividade sexual é o meio pelo qual os seres humanos criam outros seres humanos. Ela é também o meio de expressar  as mais íntimas emoções humanas.

Além de enfatizar que somos seres físicos e sociais, a sexualidade mostra a diferenciação essencial dentro da existência humana.. As coisas que nos tornam diferentes não devem criar distâncias entre nós. Pretende-se que os seres humanos complementem-se uns aos outros. A sexualidade cumpre-se na união de macho e fêmea, e este fato nos lembra que nenhum indivíduo pode ser tudo que um ser humano é capaz de ser. E esta unidade social demonstra a humanidade em sua plenitude.

A Bíblia é realística e afirmativa ao tratar com a sexualídade humana. Ela nunca obscurece o fato da  sexualidade ser uma parte essencial da existência humana. De fato, as pessoas às vezes ficam chocadas pela franqueza com que a Bíblia refere-se à atividade sexual. A Bíblia também confirma o valor da sexualidade.
Ela honra sua função de procriação e geralmente reflete a atitude de que o sexo é algo natural e portanto bom  (Gênesis 1:28). A Bíblia não nos manda negar nossa sexualidade.

ATITUDES SEXUAIS ERRADAS — Estes aspectos separam o conceito cristão de sexo de duas conhecidas atitudes. Podemos chamar a uma de “puritana” embora seja duvidoso que ela se aplique aos puritanos em si. De acordo com este conceito, o sexo é algo mau e deve ser evitado. Quanto menos ouvirmos dele, melhor. É desnecessário dizer que a reforçada ignorância não elimina o interesse no sexo;  ela apenas leva a equívocos.

Do lado oposto, encontramos a atitude do “playboy’. Conforme o seu conceito, o sexo é mais do que algo para celebrar. Ele é a razão da existência. Para a mentalidade do playboy, a liberação sexual possui a chave para o significado da vida. Libere a sua atividade sexual, ele insiste, e você terá  paz mental.

É estranho, mas esta atitude contém dois pontos conflitantes sobre o sexo. Por um lado, ela exagera o seu significado; ela glorifica a dimensão da experiência e leva as pessoas a esperarem mais do sexo do que possivelmente ele possa dar. Ao mesmo tempo, a mentalidade do playboy vulgariza o sexo. Em vez de ponderar em seu profundo significado para a vida humana, ela trata o sexo como uma forma de entretenimento. Os escritores da Bíblia consideravam o sexo muito mais do que isto.

O conceito cristão de sexo está fora destas atitudes. Em contraste ao conceito puritano, o cristianismo concidera o sexo como uma parte essencial da vida humana,  como algo bom e útil. Em contraste à atitude do playboy, ele afirma que a parte sexual da vida é exatamente isto —  apenas uma parte da vida, não toda ela. Só podemos compreender seu valor quando o consideramos em seu devido lugar e relacionado aos demais aspectos da vida.

COMPORTAMENTO SEXUAL —   Recentemente, a questão do comportamento sexual tem recebido bastante atenção. Ele é um assunto muito mais amplo do que será possível abordar aqui, mas nosso modo de tratar o sexo como uma dimensão das criaturas humanas não seria completo sem pelo menos mencionar alguns aspectos.

CASAMENTO — Conforme o cristianismo tradicional, a única estrutura aceitável para a relação sexual é a monogamia heterossexual — o casamento envolvendo dois indivíduos, um macho e uma fêmea. Em diferentes lugares, a Biblia parece tolerar algum afastamento desta norma. Muitas das figuras centrais do Velho Testamento praticaram a poligamia, inclusive Abraão, Jacó, Davi e Salomão. Conforme o primeiro evangelho, uma das declarações de Jesus permite o divórcio no caso de adultério (Mateus 19:9).

A Bíblia condena outras práticas muito mais francamente. O sétimo dos dez mandamentos proibe o adultério, a relação sexual entre uma pessoa casada e  alguém que não é seu marido (ou esposa) (Exodo 20:14). Em suas epistolas, Paulo exorta os cristãos a evitar a fornicação, relação sexual entre pessoas solteiras (cf. I Coríntios 6:18; Efésios 5:3; I Tessalonicenses 4:3)*(Ver coment. Anexo)   Várias declarações bíblicas condenam atividades homossexuais (Levítico 18:22; 20:13; Romanos 1:26-27; I Coríntios 6:9: I Timóteo 1:10).

DIVÓRCIO — Atualmente as pessoas levantam questões sobre divórcio, sexo premarital e homossexualismo. Até 1950,  a orientação predominante da Igreja Adventista só permitia que um membro casasse novamente após o divórcio se a outra parte fosse culpada de adultério. A parte culpada poderia ser aceita novamente após um período de contrição mas nunca poderia casar outra vez. Em 1950 a orientação foi modificada, permitindo que a parte culpada que houvesse casado outra vez entrasse na comunhão da igreja através do rebatismo após um período de tempo, se houvesse evidência de genuino arrependimento (Nota de trad.: Tal orientação ocorreu nos Estados Unidos.)

SEXO ANTES DO CASAMENTO — Dos filmes e programas de televisão pode-se facilmente concluir que  a atividade sexual entre pessoas não casadas é a norma, não a exceção nos tempos atuais. Como indicam as estatísticas, existe a aceitação geral da idéia de que as pessoas devem experimentar vários parceiros sexuais. Muitos acreditam que tal atividade é não somente normal e saudável mas também útil na preparação para o casamento.

Apenas uma declaração bíblica não é o suficiente para satisfazer as pessoas hoje. Mas há boas razões para esperar até o casamento e permanecer fiel após ele. Existe o risco da gravidez e das doenças venéreas, que ainda persistem, apesar dos medicamentos modernos. E ainda mais importante, é impossível duplicar ou antecipar perfeitamente o relacionamento de um casamento. O casamento envolve uma entrega total entre duas pessoas, uma entrega que é permanente e exclusiva. É impossível fazer um compromisso permanente numa base de experiência, ou compromisso exclusivo com mais de uma pessoa.

              Mais importante que tudo, o sexo tem a capacidade de expressar e de gerar os mais  profundos sentimentos de que são capazes os seres humanos.  Qualquer atividade sexual que ignora ou procura evitar esta capacidade é destrutiva. Podemos pensar nela como sexo recreativo, ou apenas brincadeira, mas ela inevitavelmente fará com que percamos o respeito por nós mesmos, ou pela outra pessoa envolvida. E ela esvazia a experiência do seu real significado.

HOMOSSEXUALISMO —  A prontidão sem precedentes que têm atualmente os homossexuais em identificar a si mesmos, tanto fora como dentro da igreja, requer que se estude a questão cristianismo e homossexualismo”. Tradicionalmente condenados por seu comportamento, os homossexuais estão pressionando pelo reconhecimento da homossexualidade como uma alternativa válida à heterossexualidade dentro da comunidade cristã. Seus argumentos freqüentemente voltam-se para a ditinção entre práticas homosssxuais e orientação homossexual. Eles argumentam que nossa orientação sexual básica não é algo que escolhemos por nós mesmos. É algo que cada um de nós adquire cedo na vida, em grande parte como o resultado de fatores que não podemos controlar. Uma vez estabelecida, é virtualmente impossível de mudar. Se admitimos uma orientação básica homossexual neste sentido, prossegue o argumento, devemos considerar as práticas homossexuais de duas maneiras diferentes. Se a orientação básica de uma pessoa é heterossexual, seria uma perversão de sua sexualidade se ela participasse de práticas homossexuais. Mas se a orientação básica é homossexual, então tais práticas podem ser uma válida expressão de afeição.

Ninguém, nos tempos antigos entendia a natureza da orientação sexual; por isso, continua o argumento, os escritores bíblicos consideraram todas as práticas homossexuais como perversões. É por isso que as declarações bíblicas sobre práticas homossexuais são todas negativas. Mas temos que lembrar, afirmam os homossexuais, que elas falam apenas das práticas homossexuais, e não da orientação sexual. Este é, portanto, um assunto que a interpretação bíblica apenas não pode definir. Precisamos da ajuda de esclarecimentos contemporâneos sobre a sexualidade humana.

É claro que os cristãos atualmente devem responder à homossexualidade com alguma coisa diferente da condenação cega. Não importa qual é a experiência sexual da pessoa, ela merece ser tratada com simpatia e respeito. Infelizmente, os homossexuais têm enfrentado preconceito, insensibilidade e rejeição por parte de supostos cristãos.

Não está tão claro que a Bíblia não tem nada a dizer a respeito da orientação sexual ou que a orientação sexual de uma pessoa não pode ser mudada. O relato bíblico da criação afirma a distinção fundamental entre macho e fêmea, e o seu desempenho na procriação. O resto da Bíblia pressupõe esta distinção. O testemunho bíblico em toda a sua extensão, além de várias declarações específicas, permanece contra o homossexualismo.

Além disso, mesmo se o homossexualismo for uma orientação e não meramente uma prática, isto não o isenta da condenação bíblica. A Bíblia condena certas condições, tanto quanto certas ações. O fato de o pecado corromper a nossa natureza não nos livra da condenação divina, por exemplo.


Ao mesmo tempo, o evangelho promete a libertação de todas as consêqüências do pecado tanto condições como ações. Portanto, deve haver razão para acreditar que a orientação homossexual pode ser mudada. Na verdade há pessoas que afirmam ter se livrado dela, embora o seu testemunho seja questionado por alguns.

SEMENTES DE AMOR



Sementes de amor
A influencia paterna é decisiva no futuro dos filhos, mas não fecha a porta para mudanças

“O perdão possibilita a vida onde reina a morte e dá significado á relação que perdeu o sentido”

Augusto César Maia é psicólogo clínico em Campinas, SP.


O rei Salomão escreveu: “Eduque a criança no caminho em que deve andar, e até o fim da vida não se desviará dele” (Prov. 22:6, BLH). Este provérbio inspirado confirma a teoria de que o caráter é modelado pelos pais e de que a sua qualidade depende muito do tipo de educação recebido na infância.
O provérbio também nos adverte que, se educarmos uma criança no caminho errado, sem amor, ela terá grande dificuldade para se desviar desse caminho e dessa carência. Cria-se uma resistência em mudar de caminho e um vazio acompanha cada passo da existên­cia. Na vida adulta, ela perceberá o mundo de Outra maneira: o sabor não é tão temperado, a visão não é tão colorida, a emoção não cativa tanto, a idéia não motiva o suficiente e o so­nho não é sonhado.
À medida que progredimos em nossa com­preensão desse provérbio, torna-se evidente que os filhos só conseguirão ter paz de espíri­to quando removerem o medo, a desconfian­ça e as mágoas do passado. Assim como as plantas precisam de um solo adubado para crescer, as sementes do amor, da confiança e do perdão só crescem se receberem os ele­mentos necessários para a vida.
Aqui estamos diante de um dilema: como alguém que não foi amado pode amar? Como superar a interferência nociva dos pais e recu­perar o terreno estragado pelas experiências passadas? A verdade é que nossos pais fizeram o melhor que podiam. Não pode­mos negar a dura realidade de que, se tivéssemos que passar pelas mesmas experiências deles, provavelmente tería­mos um comportamento semelhante. Nossos pais cresceram exatamente como seus pais (os avós), e nós aprende­mos a amar, ter medo, ser sentimentais, frios, desconfiados, controlado­res, manipuladores, autori­tários ou sedutores com eles.
A experiência clínica demonstra que, quan­do o paciente toma consciência de que foi es­tragado nas primeiras experiências com os pais, este insight normalmente desencadeia sentimentos de raiva. Mas, para a maioria das pessoas, é difícil reconhecer como legitima a raiva evidenciada pelos seus ressentimentos. Resultado: o “engolidor de sapos”, cedo ou tarde, poderá ter o seu estômago corroido pela raiva não expressa, ou quem sabe uma sensa­ção de coceira inexplicável, ou Outra reação psicossomática.
O apóstolo Paulo nos adverte, em Efésios 4:26, para tomarmos cuidado com o que faze­mos com a raiva. Para ele, devemos ser verda­deiros com as nossas emoções, mas observar um limite. Podemos irar, mas não devemos pe­car. Ou seja, cuide de você, expressando aquilo que sente, e também do outro, precavendo-se com suas palavras e ações. Paulo completa a frase, dizendo: “Não se ponha o sol sobre a vos­sa ira.” Em outros termos: Não vá dormir com raiva, pois isso vai lhe fazer muito mal à saúde.”
Não devemos fingir ter perdoado quando na verdade não o fizemos. Contudo, não precisamos exteriorizar nossas mágoas e rancores diretamente para os nossos pais. À medida que descobrimos esses Sentimentos dentro de nós e os expressamos na seguran­ça de um esquema psicoterapêutico ou espi­ritual (oração), conseguimos reconhecer que as mágoas que nos fazem sofrer são de nossa responsabilidade.
Para remover as teias que per­metam nossas mentes, deve­mos enxergar nossas má­goas, perdoar nossos pais, perdoar a nós mesmos e aceitar o perdão de Deus, Precisamos encarar a nossa culpa, sem fuga ou vitimiza­ção, para nos libertarmos dela, O perdão regenera, possibilita a vida onde rei­na a morte, traz luz onde existe treva, dá significado à relação que perdeu o senti­do, enfim, faz crescer.

Sinais dos Tempos      Novembro-Dezembro/2003


RELACIONAMENTO INDISPENSÁVEL



Relacionamento indispensável

“Amar é muito mais do que fazer algo por alguém. Amar faz alguém”

Augusto César Maia é psicólogo clínico em Campinas, SP.

A relação afetiva comprometida com o verdadeiro amor é a única maneira de dar sentido à vida


O ser humano precisa sentir-se ama­do e valorizado como pessoa. Cria­dos por Deus, fomos feitos para nos relacionarmos com os que nos cercam. Todo o tempo, estamos em contato com pessoas, culturas e maneiras de pensar diferentes da nossa. O que torna possível que nos relacionemos uns com os Outros é o amor.
Nossa vida é apoiada por uma rede de amor. A interdependência é uma característi­ca básica do ser humano. Em 1a. Coríntios 12:12, Deus nos diz que somos parte de um corpo. Não podemos viver isolados desse cor­po. Nossa vida depende de outras vidas.
Mas nem toda dependência é benéfica. Apenas a dependência do amor é que nos per­sonaliza e dá sentido à vida. É nesta depen­dência que se situa, mais profundamente, o relacionamento humano. Deus nos deixa cla­ro, em Colossenses 3:14, que para nos relacio­narmos de uma maneira saudável, devemos nos revestir de amor.
Amar é assumir responsabilidade por outra pessoa e querer que ela cresça. Para que eu seja alguém, dependo de uma pessoa que me ame. Amar é muito mais do que fazer algo por alguém. Amar faz alguém.
Para compreender melhor a dimensão do amor, abrace alguma pessoa. Ao abraçar, esta­mos dando importância a essa pessoa, porque para abraçar, primeiro teremos que nos abrir para ela. Agora podemos entender melhor o amor. Amar é estar aberto ao outro. E a única alternativa possível de religação com os seme­lhantes e com Deus.
O amor é educativo, pois ensina a amar aos outros. Só o amor é capaz de manter equilí­brio e harmonia nas relações humanas. Do contrário, elas se autodestroem. É pela falta de amor que as relações entram em crise. Al­go tão simples, como dar um abraço, torna-se cada dia mais difícil.
Há pessoas com tremenda dificuldade em abraçar. Quantos filhos chegam ao consultó­rio e se queixam de que nunca receberam um abraço de seu pai ou de sua mãe! Quantas es­posas reclamam de que o marido é incapaz de dar um abraço carinhoso, destituído de co-notação sexual!  Uma ação tão simples, mas os pais e esposos não conseguem executá-la!
“O amor se esfriará de quase todos” (Mar. 24:12), adverte-nos Jesus.

Quem ama Cuida — Um relacionamento destituído de amor pode destruir-nos, por suprimir nossos anseios básicos e frustrar a nossa natureza. Em nenhuma outra área, as deficiências humanas se manifestam mais tragicamente do que no campo do relacionamento. Se existimos à medi­da em que nos relacionamos, também, à medi­da em que o relacionamento falha, somos pre­judicados.
Portanto, não é qualquer forma de amor que vale a pena. Só uma é válida! Como iden­tificá-la? Não temos outra saída a não ser re­correr ao modelo do amor divino — Jesus. Ele é o próprio amor.
Na história da Criação, observamos que Deus, ao fazer todas as “coisas”, utilizou a pa­lavra (Sal. 33:9). Mas, quando Deus criou o ser humano, fez diferente. Foi além da palavra. Ele pegou o pó da terra, com as próprias mãos, e com carinho moldou o homem à Sua imagem e semelhança. Soprou em seu nariz o fôlego de vida e fez o homem alma vivente: proximidade, intimidade eterna. Assim que Deus queria que fosse o relacionamento dEle com a humanida­de e da humanidade entre si.
É assim que você se relaciona com o seu cônjuge, com os filhos e amigos? Quando você vê sua esposa crescendo, dá incentivo?
Uma pessoa que consegue estabelecer rela­ções humanas saudáveis, é aquela que teve a felicidade de receber, no inicio da vida, a quo­ta de amor e segurança de que necessitava. Porém, o homem não é capaz de dar o que não tem. “O amor vem de Deus”. Assim, é pre­ciso receber o Seu amor a cada dia, para poder refleti-lo aos outros. Abra o coração para dar e receber o verdadeiro amor!


RELACIONAMENTOS NA IGREJA



Relacionamento é a chave para conquistar e manter ovelhas

  Gosto de lembrar o que me trouxe à Igreja   Adventista:     relacionamento.
Conheci pessoas que comunicaram uma vida e doutrina que me cativaram. A cidade tinha simpatia eles e cada dia o Senhor “acrescentava à igreja todos os que estavam sendo salvos”. Atos 2:47. Depois de séculos de história, a marca cristã na conquista de pessoas ainda se estabelece pelos relacionamentos saudáveis desenvolvidos pelo amor, cooperação, simpatia, reconhecimento e gratidão.
 Porém, não basta conhecer e cativar: tomamo-nos responsáveis por aqueles que hoje fazem parte da família de  Deus. E, como somos, devemos estar atentos às nossas diferenças  individuais. Os filhos não são iguais. Cada um tem suas características próprias. Quando o pai trata os filhos de, acordo com as suas peculiaridades e expectativas, eles começam a perceber que nessa estrutura familiar ha espaço para todos.
O mesmo princípio aplica-se às igrejas. Quanto mais nos aproximamos de cada  pessoa e a respeitamos em suas características, considerando suas propostas com muita atenção, mais conseguiremos toca-la fazendo com que se sinta mais importante e motivada. É fundamental que a gente consiga tocar a essência dos seres humanos, a alma de cada pessoa, fazendo-a sentir a honestidade de nossos propósitos. É preciso cuidar de todos, sem privilégios e sem protecionismo,  sabendo que todos tem direito à igualdade.
Quando procuramos compreender real e profundamente nossos irmãos, abrimos as portas para soluções criativas e novas alternativas. Nossas diferenças não formam mais obstáculos para a comunicação e o progresso. Em outras palavras, há riqueza na diversidade, como diz a irmã White.
 As pessoas precisam sentir-se participantes especiais,saber que sua presença é notada e apreciada. Precisamos nos importar um com  os outros mostrando interesse real. Com certeza, pequenos gestos não nos custam nada, mas contribuem para melhorar a qualidade de vida de nossa família espiritual. Em nosso caminho, sempre encontraremos muitas pessoas agradecidas por um toque, uma oração uma palavra de confiança, estímulos que não se encontram em qualquer lugar. Valendo-me de um conceito prioritário da Qualidade Total, é muito importante conquistar, manter e garantir a satisfação do cliente. As organizações têm investido muito na proximidade com o cliente procurando conhecê-lo e, mais do que isso,  relacionar-se com ele. Também podemos dizer que é mais  produtivo investir na qualidade de vida integral dos  membros de nossa igreja do que apenas aumentar o número de freqüentadores dela. Isso requer uma melhoria contínua da saúde do corpo de Cristo, através de relacionamentos profundos. Infelizmente, dentro de nossa igreja encontramos diversas formas de decadência espiritual e emocional na vida de alguns membros que carecem de atenção e empatia.
E preciso estimular aquelas atitudes amorosas que vão fazer a diferença. Fico  feliz ao poder mencionar que alguns queridos pastores me telefonaram certificando-se de que não estou desgarrada.  Recebo muitos convites para participar em muitas outras congregações e, em decorrência, me ausento da igreja que freqüento. Há muitas maneiras de expressar interesse e consideração. Por exemplo, podemos aproveitar a riqueza de nossos periódicos e enviá-los em momentos-chave àqueles em quem o Espírito Santo está operando de alguma forma.
A Bíblia declara que Deus,_segundo a Sua riqueza, supre as nossas necessidades, mas creio que muitas delas são supridas através de nossa vida para abençoar os  irmãos.  Sempre será importante receber uma palavra de carinho e uma demonstração de interesse. Pequenos gestos no atendimento fazem fazem com que nos tornemos clientes em uma loja. Igualmente podemos dizer que cortesia presteza e simpatia farão alguém continuar na igreja e contar a outros como é bom estar ali.
 Alguns, porém, mais parecem órfãos do que filhos quando, na morte de um parente, aniversário, doença, desemprego ou nascimento, não conseguem contar com nossa empatia. É preciso valorizar nossos irmãos como pessoas especiais que são. Não defendo massagens no ego, mas gosto de me lembrar que foram relacionamentos saudáveis e amorosos que me trouxeram para a igreja, irmãos que se tornaram amigos, que me contabilizam como pessoa e não pelo dizimo que represento.  Eles me acolhem em suas casas compartilham suas mesas e participam das minhas vitórias. No caso de algumas pessoas, a doutrina bíblica é suficiente para mantê-las na igreja; a maioria, porém, necessita de estímulo extra produzido pelos relacionamentos fraternos.
Irmãos são a razão de ser da nossa igreja. Trata-los com indiferença seria um bom  começo para a nossa própria decadência. A base de nosso êxito consiste em amar os irmãos não só de palavras, mas de fato e de verdade. Encarar alguns irmãos como problema é o início da separação.
Muitas vezes, fazemos sucesso com novos irmãos, mas com o passar do tempo eles se tornam ‘prata da casa’ e acabam não recebendo a atenção necessária, e o resultado pode ser trágico.
Um princípio da Qualidade Total ensina que clientes insatisfeitos procuram melhores fornecedores.  Da mesma forma, alguns acabam buscando em outros locais aquilo que um dia haviam encontrado em nosso meio. E uma das ferramentas eficazes para garantir  a satisfação  do cliente é ouvi-lo conhecer suas expectativas e necessidades. Isso também é verdade em relação à igreja. Precisamos ouvir empáticamente. Necessitamos aprimorar nossa audição, ter força interior para ouvir e coragem  para admitir nossos erros e corrigir nossas falhas. Escutar nossos irmãos antes que outros ouvidos o façam. A base do nosso êxito consiste em amar os irmãos. As pessoas querem ser ouvidas e compreendidas. Os irmãos são o tesouro da igreja, devendo ser preservados como tais.
Creio que estas palavras do presidente americano George Bush em seu discurso de posse, são uma boa maneira de terminar este artigo: “Nas coisas cruciais, unidade; nas coisas importantes, diversidade; e, em todas as coisas, generosidade.”

Sandra  Camargo, consultora de Recursos  Humanos  e Qualidade; membro da Igreja  Adventista das Mangueiras, em Tatuí, SP


QUEM AMA CONHECE



Quem ama conhece
Dedicar tempo ao conhecimento mútuo fortalece a relação afetiva


É pouco provável que amemos uma pessoa sem conhecê-la. O conheci­mento é fundamental ´Wm uma relação cujo vinculo maior é o amor. Dentro de um processo dinâmico, quanto mais conhe­cemos o outro e os seus mistérios, tanto mais podemos compreender as suas necessidades, qualidades, limitações, desejos e carências.
Portanto, amar é a arte de conhecer aquilo que o outro possui de mais precioso. Implica em tomar ciência de suas alegrias e tristezas, de seus medos e sua coragem, de seu bom humor e mau humor. De todas as manifestações daquilo que possui de maus vital.
Mas, para que isso aconteça, é necessário que exista uma disponibilidade para o conhecimento recíproco. E disponibilidade é a capa­cidade de dedicar tempo. Significa atribuir im­portância ao outro.
Ao criar o ser humano à Sua imagem e semelhança, Deus desenvolveu um ser essen­cialmente relacional, motivo pelo qual esta­mos ligados uns aos outros e ao Criador. Essa teia de relacionamentos não pode ser rompida sem prejuízos para o individuo. Precisamos uns dos outros, e do Criador, para desenvol­ver um caráter saudável.
Em Seu ato de amor para com o ser humano, Deus não negligenciou a necessidade de dedicar tempo exclusivo à Sua criação. Ele tinha disponi­bilidade inegociável para com o casal recém-cria­do, O relato bíblico (Gên. 3:8) deixa claro que Deus visitava o casal todos os dias, na hora em que soprava o vento suave da tarde. Não era uma visita mensal, semanal ou só quando sobrava tempo. Mesmo sendo o Rei do Universo, não Se esquecia de Adão e Eva. Por mais importante que fosse a reu­nião no Céu, Deus não deixava de ir ao encontro marcado.
Assim, o casal  ia se desenvolvendo com a certeza do amor de Deus. Uma cer­teza prática, e não teórica, pois o próprio Cria­dor lhes mostrava o quanto eram importantes, a cada fim de tarde. Deus tinha tempo para eles.

Envolvimento — Que bom quando os pais têm tempo para os filhos, e o esposo, para a esposa! Quantos se lembram do prazer de brincar de cavalinho nas costas do pai, ou da alegria de sair com ele para empinar papagaio? Hoje, porque as pessoas não têm tempo, ou estão cansadas, a vivência familiar acontece cada vez menos.
Quantos pais preferem gastar o seu tempo com o trabalho, lendo jornal, jogando futebol, ou simplesmente diante da TV! Quantos pais aparentam não estar disponíveis e se aborrecem se um filho se aproxima com uma necessidade especial na hora do jornal, da conversa com os amigos ou simplesmente no seu momento de li­car à-toa! Cria-se, assim, uma distância emocio­nal que coloca empecilhos na relação afetiva.
Para não cair nessa armadilha emocional, os pais podem ter momentos ricos e produtivos, em termos de relacionamento, simplesmente brincando com os filhos. Para estabelecer um relacio­namento familiar não são necessários muitos re­cursos e tempo. O que importa não é a quantidade, mas a qualidade.
A importância quase absoluta da infância está no relacionamento afetivo com os pais. Esses anos de formação da vida são muito importantes do ponto de vista psicológico, porque são aqueles sobre os quais são lançadas as bases do caráter. Um amor sincero, uma
aceitação real e um relacionamento pessoal irão conferir à crian­ça um sentimento do próprio valor que dificilmente será desfeito.
Por isso, não devemos esquecer que a criança pre­cisa sentir que alguém acredita, confia, luta, se importa e gasta tempo com ela. Esse é o amor que cresce e se mantém.

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