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domingo, 28 de novembro de 2021

Porque Deus enviou um "espírito imundo" para atormentar Saúl?- Leandro Quadros

 


  


  O ser humano quase sempre está descontente com o que tem e, na maioria das vezes, acredita que "a grama do vizinho é mais verde". Isso aconteceu com o povo de Israel quando viu uma aparente prosperidade entre as nações pagãs que, diferente deles, eram governadas por um rei humano como o cabeça da nação e apelaram ao profeta Samuel para que "convencesse" a Deus de que sabiam o que era melhor para a vida de todos eles (1Sm 8).
  O povo não parou para pensar que Deus é o melhor de todos os reis (Ap 19:16) e que o sistema de governo Teocrático (centralizado em Theós, ou seja, em Deus) era o mais seguro para todos os que não quisessem correr riscos de serem injustiçados por causa das falhas de algum governante humano.
  Com certeza, o Rei Eterno sentiu-se rejeitado por aqueles a quem tanto amou. Embora tendo libertado o povo da escravidão egípcia por meio de milagres e provas incontestáveis de que Ele estava no controle da vida deles, para que fossem felizes e prósperos de verdade, como um grande Cavalheiro, Ele respeitou o desejo dos Seus filhos descontentes sem, todavia, deixá-los entregues ao azar.
  1Samuel 9 e 10 contam detalhes de como o Senhor escolheu Saúl e encheu-o do Espírito Santo (1Sm 10:6,9,10) para que ele, mesmo tendo os seus defeitos de caráter, aproximasse o povo de Deus através de um reinado justo e de pura dependência da graça divina para obtenção do êxito e vitórias diante das nações pagãs que sempre os ameaçavam de todos os lados.
  Porém, nem sempre o Espírito Santo pôde habitar em Saúl. A Bíblia diz que, depois de ele se ter rebelado abertamente contra Deus, sem buscar um arrependimento sincero, a Terceira Pessoa da Divindade abandonou-o (1Sm 16:14), por ele ter ido tão longe no pecado que não mais poderia ouvir a voz de Deus a falar-lhe na consciência.
  O que chama a atenção (e que motiva essa resposta) é a declaração bíblica de que após o Espírito Santo ter abandonado o perverso rei Saúl, "um espírito imundo maligno, vindo da parte do SENHOR, atormentava-o" (1Sm 16:14). Como pode a mesma Bíblia dizer que o Criador "envia" espíritos maus para atormentar pessoas rebeldes, sendo que, ao mesmo tempo, em Tiago 1:13 e 17, a Palavra de Deus declara que "Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta" e que "Toda boa dádiva e todo o dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes(...)"?
  Encontramos a resposta no próprio contexto da declaração e em outros textos bíblicos paralelos onde o Senhor é apresentado não como o originador do mal- mas sim o Diabo.
  Em 1Samuel 16:15, vemos que foram os oficiais de Saúl e não a Bíblia quem afirmou que o "espírito maligno" (ou "imundo"): "Os oficiais de Saul disseram-lhe: 'Há um espírito maligno, mandado por Deus, atormentando-te'."
  Perceba que esta era uma crença dos oficiais de Saúl e não dos autores bíblicos inspirados. Samuel está simplesmente a registar uma opinião corrente naqueles dias, de que Deus era o responsável por tudo o que acontecia no mundo.  A Bíblia apresenta uma imagem de Deus bem diferente da que foi pintada pelos amigos de Saúl. Os textos a seguir serão suficientes para o ajudar a entender que Deus não envia espíritos maus para atormentar as pessoas que o rejeitaram, mesmo, claro, que ao sair da presença do criador, a pessoa fique mais vulnerável a isso:

  • O responsável pelo mal é um anjo caído e não Deus: "Tu eras inculpável nos teus caminhos desde o dia em que foste criado até que se achou maldade em ti" (Ez 28:15).
  • O mal não habita com Deus e , por isso, demónios não podem sair da presença de Deus para atormentar as pessoas: "Tu não és um Deus que tenha prazer na injustiça; contigo o mal não pode habitar" (Sl 5:4)

Leando Quadros - " Na mira da Verdade" vol.2

Deus foi ou não foi visto pelo ser humano?- Leandro Quadros




 Realmente, a princípio parece haver uma contradição entre Êxodo 33:11, 20 e João 1:18 (entre outros textos que tratam do mesmo assunto):

  • Êxodo 33:11: "O Senhor falava com Moisés face a face, como quem fala com o seu amigo. Depois Moisés voltava ao acampamento; mas Josué, filho de Num, que lhe servia como auxiliar, não se afastava da tenda."
  • Êxodo 33:20: "E acrescentou: 'Você não poderá ver a minha face, porque ninguém poderá ver-me e continuar vivo.'"
  • João 1:18: " Ninguém jamais viu a Deus, mas o Deus Unigênito, que está junto ao Pai, tornou-o conhecido."

Todavia, seguindo o princípio de que a Bíblia se deve interpretar a si mesma, aprendemos em Êxodo 33:9 que os textos se completam: "Depois que ele (Moisés) entrava, uma coluna de nuvem descia e parava na porta da Tenda; e da nuvem o SENHOR falava com Moisés."

Perceba que Deus falava com Moisés frente a frente, porém, coberto com uma nuvem. Isto é, do mesmo modo que poderíamos falar face a face com alguém sem ver o seu rosto caso estivesse coberto com um véu, por exemplo.
Deste modo, os textos citados acima estão em perfeita harmonia um com o outro, e não contradizem outros versículos que citam essa mesma questão. Entre eles estão: 1Timóteo 6:16 e Êxodo 33:20-23.

Leando Quadros - " Na mira da Verdade" vol.2

Porque Deus quis matar Moisés?- Leandro Quadros

 



Quando lemos esse versículo na Bíblia, ficamos desconfortáveis porque não conseguimos encontrar um motivo para que Deus se manifestasse diante de Moisés de maneira tão ameaçadora. Porém, veja o que diz Ellen White sobre o evento de Êxodo 4:24, no seu livro Patriarcas e Profetas:

"Em caminho, quando vinha de Midiã, Moisés recebeu uma advertência assustadora    e terrível, a respeito do desagrado do Senhor. Um anjo apareceu-lhe de maneira ameaçadora, como se o fosse imediatamente destruir. Explicação alguma se dera; Moisés, porém, lembrou-se de que tinha desatendido um dos mandos de Deus; cedendo à persuasão de sua esposa, negligenciara efetuar o rito da circuncisão no seu filho mais novo. Deixara de satisfazer a condição pela qual o filho poderia ter direito às bênçãos do concerto de Deus com Israel; e tal negligência por parte do dirigente escolhido de Israel não poderia senão diminuir a força dos preceitos divinos sobre o povo. Zípora, temendo que o seu marido fosse morto, efetuou ela mesmo o rito, e o anjo então permitiu a Moisés que prosseguisse com a jornada. Na sua missão junto ao Faraó, devia Moisés ser colocado numa posição de grande perigo; a sua vida unicamente podia preservar-se pela proteção de santos anjos. Enquanto vivesse, porém, na negligência de um dever conhecido, não estaria livre de perigo; pois que não poderia estar  protegido pelos anjos de Deus."


Essa história ensina-nos o quanto um líder é responsável diante dos seus liderados, em representar bem o caráter de Deus, cumprindo com toda a vontade dEle. E mostra-nos o quanto devemos dar valor até mesmo às pequenas coisas (essa é apenas uma maneira de dizer) que Deus nos pede (Mt 7:21-23; Jo 15:14), pois elas têm influência significativa na vida de outros e na construção do nosso caráter.

Leando Quadros - " Na mira da Verdade" vol.2

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Quem foi a esposa de Caim? - Leandro Quadros


 

Essa é uma das perguntas mais frequentes que recebo, e não menos importante que as demais. Diz Génesis 4:17: "Caim teve relações com sua mulher, e ela engravidou e deu à luz Enoque. Depois Caim fundou uma cidade, à qual deu o nome do seu filho Enoque."

A Bíblia ensina que os primeiros seres humanos criados na Terra foram Adão e Eva: "Pois assim está escrito: O primeiro homem, Adão, tornou-se um ser vivente (...)" (1 Co 5:45. Vêr também 1 Co 15:47)

Naturalmente, isto suscita-nos uma pergunta: houve relações sexuais entre os filhos de Adão e Eva? Cremos que sim, pois a Palavra de Deus, em nenhum momento, afirma que Deus criou seres humanos que não tivessem parentesco com Adão, mas sim que todos descendem dele.

Além disso, a única explicação plausível em relação à identidade da esposa de Caim encontra-se em Génesis 5:4, que afirma que Adão teve, além de Caim, Abel e Sete, " outros filhos e filhas ". Portanto, Caim casou-se com uma irmã ou até mesmo uma sobrinha. 

Seria isso incesto? Não, pois, naquela época tais uniões não eram consideradas incesto. Deus ainda não havia instituído a lei que proibia a união marital entre parentes (o fez posteriormente - Levítico 18:6-17). Se tal lei não existia, isso significa que não existia o incesto.


Leando Quadros - " Na mira da Verdade" vol.2

domingo, 31 de outubro de 2021

Sabe que Livros, Desenhos, Séries, Filmes os seus filhos assistem? - Neila de Oliveira

"Guardai-vos das Coisas Condenadas" - Milu Cordeiro

Prisão e Morte de João Batista

 

Prisão e Morte de João Batista


Este capítulo é baseado em Mateus 11:1-11; 14:1-11; Marcos 6:17-28; Lucas 7:19-28.

João Batista fora o primeiro a anunciar o reino de Cristo, e foi também o primeiro a sofrer. As paredes de uma cela na prisão separavam-no agora da liberdade do deserto e das vastas multidões suspensas de suas palavras. Estava prisioneiro na fortaleza de Herodes Antipas. Grande parte do ministério de João Batista tivera lugar no território leste do Jordão, o qual se achava sob o domínio de Antipas. O próprio Herodes escutara as pregações de João. O dissoluto rei tremera ante o chamado ao arrependimento. "Herodes temia a João, sabendo que era varão justo; ... e fazia muitas coisas, atendendo-o, e de boamente o ouvia". Marcos 6:20. João portou-se fielmente para com ele, acusando-o por sua iníqua aliança com Herodias, mulher de seu irmão. Por algum tempo Herodes procurou fracamente quebrar a cadeia de concupiscência que o ligava; mas Herodias prendeu-o mais firmemente em suas redes, e vingou-se de Batista, induzindo Herodes a lançá-lo na prisão.

A vida de João fora de ativo labor, e as sombras e a inatividade da prisão pesavam fortemente sobre ele. Ao passar semana após semana, sem trazer nenhuma mudança, o acabrunhamento e a dúvida se foram sutilmente apoderando dele. Seus discípulos não o abandonaram. Era-lhes permitida entrada na prisão; levaram-lhe notícias das obras de Jesus, e disseram-lhe como o povo se estava aglomerando em torno dEle. Mas indagavam por que, se esse novo mestre era o Messias, nada fazia para que João fosse solto? Como podia Ele permitir que Seu fiel precursor fosse privado da liberdade e talvez da vida?

Essas perguntas não deixaram de produzir efeito. Dúvidas que, do contrário, nunca teriam sido suscitadas, foram então sugeridas a João. Satanás regozijou-se em ouvir as palavras desses discípulos, e ver como elas quebrantaram o coração do mensageiro do Senhor. Oh! quantas vezes os que se julgam amigos de um homem bom, e anseiam mostrar sua fidelidade para com ele, se demonstram os mais perigosos inimigos! Quantas vezes, em lugar de lhe fortalecer a fé, suas palavras deprimem e desanimam!

Como os discípulos do Salvador, João Batista não compreendia a natureza do reino de Cristo. Esperava que Jesus tomasse o trono de Davi;  e, ao passar o tempo, e o Salvador não reclamar nenhuma autoridade real, João ficou perplexo e turbado. Declarara ao povo que, a fim de o caminho ser preparado diante do Senhor, a profecia de Isaías devia ser cumprida, os montes e os outeiros se deviam abaixar, endireitar os caminhos tortuosos, e os lugares ásperos ser aplainados. Esperava que as elevações do orgulho e do poder humanos fossem derribadas. Apresentara o Messias como Aquele cuja pá estava em Sua mão, e que limparia inteiramente Sua eira, ajuntaria o trigo no celeiro, e queimaria a palha com fogo que não se apagaria. Como o profeta Elias, em cujo espírito e poder ele próprio viera a Israel, esperava que o Senhor Se revelasse como um Deus que responde por fogo.

O Batista fora, em sua missão, um destemido reprovador da iniqüidade, tanto nos lugares elevados como nos humildes. Ousara enfrentar o rei Herodes com a positiva repreensão do pecado. Não tivera a vida por preciosa, contanto que cumprisse a missão que lhe fora designada. E agora, de sua prisão, aguardava que o Leão da tribo de Judá abatesse o orgulho do opressor, e libertasse o pobre e o que clamava. Mas Jesus parecia contentar-Se com reunir discípulos em volta de Si, curar e ensinar o povo. Comia à mesa dos publicanos, ao passo que dia a dia mais pesado se tornava o jugo romano sobre Israel, o rei Herodes e a vil amante faziam sua vontade, e o clamor do pobre e sofredor subia ao Céu.

Ao profeta do deserto tudo isso se afigurava um mistério além de sua penetração. Havia horas em que os cochichos dos demônios lhe torturavam o espírito, e a sombra de um terrível temor, dele se apoderava. Poder-se-ia dar que o longamente esperado Libertador ainda não houvesse aparecido? Então, que significaria a mensagem que ele próprio fora compelido a anunciar? João sentira-se cruelmente decepcionado com o resultado de sua missão. Esperara que a mensagem de Deus tivesse o mesmo efeito que produzira a leitura da lei nos dias de Josias (2 Crônicas 34) e de Esdras (Neemias 8, 9); que se seguiria uma profunda obra de arrependimento e volta ao Senhor. Ao êxito dessa obra, toda a sua existência fora sacrificada. Havia isso sido em vão?

João sentiu-se perturbado por ver que, pelo amor que lhe tinham, seus discípulos estavam nutrindo incredulidade a respeito de Jesus. Teria acaso sido infrutífero seu trabalho em favor deles? Teria sido infiel em sua missão, para ser agora excluído do labor? Se o Libertador tinha aparecido, e João se provara fiel a sua vocação, não havia Jesus de derribar agora o poder do opressor e libertar Seu arauto?

Mas o Batista não abandonou sua fé em Cristo. A lembrança da voz do Céu e da pomba que descera, da imaculada pureza de Jesus, do poder do Espírito Santo que sobre ele próprio repousara ao encontrar-se em presença do Salvador, e do testemunho das escrituras proféticas — tudo testificava de que Jesus de Nazaré era o Prometido.

João não queria discutir suas dúvidas e ansiedades com os companheiros. Decidiu enviar mensageiros a indagar de Jesus. Isso confiou a dois de seus discípulos, esperando que uma entrevista com o Salvador lhes confirmaria a fé, e traria certeza a seus irmãos. João ansiava uma palavra de Cristo, proferida diretamente a ele.

Os discípulos foram ter com Jesus, levando sua mensagem: "És Tu Aquele que havia de vir, ou esperamos outro?" Mateus 11:3.

Quão pouco o espaço decorrido desde que o Batista apontara a Jesus, e proclamara: "Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo", "Este era Aquele de quem eu dizia: O que vem depois de mim é antes de mim!" João 1:29, 27. E agora, pergunta: "És Tu Aquele que havia de vir?" Isso era profundamente cruel e decepcionante para a natureza humana. Se João, o fiel precursor, deixava de discernir a missão de Cristo, que se poderia esperar da interesseira multidão?

O Salvador não respondeu imediatamente à pergunta dos discípulos. Enquanto eles ficavam por ali, admirados de Seu silêncio, os enfermos e aflitos iam ter com Ele para ser curados. Os cegos iam às apalpadelas, abrindo caminho entre a multidão; doentes de todas as classes, alguns buscando conseguir por si mesmos passagem, outros conduzidos pelos amigos, comprimiam-se, todos ansiosos de chegar à presença de Jesus. A voz do poderoso Médico penetrava o ouvido surdo. Uma palavra, um toque de Sua mão, abria os olhos cegos à contemplação da luz do dia, das cenas da natureza, do rosto dos amigos e do semblante do Libertador. Jesus repreendia a moléstia e expulsava a febre. Sua voz chegava aos ouvidos dos moribundos e erguiam-se com saúde e vigor. Paralisados possessos obedeciam-Lhe a voz, desaparecia-lhes a loucura, e O adoravam. Ao mesmo tempo que lhes curava as doenças, ensinava o povo. Os pobres camponeses e trabalhadores evitados pelos rabis como imundos, rodeavam-nO de perto, e Ele lhes dizia as palavras de vida eterna.

Assim se passou o dia, os discípulos de João vendo e ouvindo tudo. Por fim Jesus os chamou a Si, pediu-lhes que fossem, e dissessem a João o que haviam testemunhado, acrescentando: "Bem-aventurado é aquele que se não escandalizar em Mim." A prova de Sua divindade mostrava-se na adaptação da mesma às necessidades da humanidade sofredora. Sua glória revelava-se na complacência que tinha para com nossa baixa condição.

Os discípulos levaram a mensagem, e foi o suficiente. João recordou a predição concernente ao Messias: "O Senhor Me ungiu, para pregar boas-novas aos mansos; enviou-Me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; a apregoar o ano aceitável do Senhor". Isaías 61:1, 2. As obras de Cristo não somente manifestavam que Ele era o Messias, mas mostravam a maneira por que Seu reino havia de ser estabelecido. A João revelara-se a mesma  verdade que se desvendara a Elias no deserto: "um grande e forte vento ... fendia os montes e quebrava as penhas diante da face do Senhor; porém o Senhor não estava no vento; e depois do vento um terremoto; também o Senhor não estava no terremoto; e depois do terremoto um fogo; porém também o Senhor não estava no fogo" (1 Reis 19:11, 12); e depois do fogo o Senhor falou ao profeta por uma voz mansa e delicada. Assim Jesus devia fazer Sua obra, não com o choque das armas, nem a subversão de tronos e reinos, mas falando ao coração dos homens por uma vida de misericórdia e sacrifício.

O princípio da própria vida do Batista, a abnegação, era o princípio do reino do Messias. João bem sabia quão estranho era tudo isso aos princípios e esperanças dos guias de Israel. Aquilo que para ele era convincente testemunho da divindade de Cristo, não seria prova nenhuma para eles. Estavam aguardando um Messias que não fora prometido. João viu que a missão do Salvador só podia receber deles ódio e condenação. Ele, o precursor, não estava senão bebendo do cálice que o próprio Cristo havia de esgotar até às fezes.

As palavras do Salvador: "Bem-aventurado é aquele que se não escandalizar em Mim", eram uma branda repreensão a João. Não foi em vão para ele. Compreendendo mais claramente agora a natureza da missão de Cristo, entregou-se a Deus para a vida e para a morte, segundo melhor conviesse aos interesses da causa que amava.

Depois da partida dos mensageiros, Jesus falou ao povo a respeito de João. O coração do Salvador dilatou-se em simpatia para com a fiel testemunha agora sepultada na prisão de Herodes. Não deixaria que o povo concluísse que Deus havia abandonado João, ou que sua fé falecera no dia da prova. "Que fostes ver no deserto?" disse, "uma cana agitada pelo vento?" Mateus 11:7.

As altas canas que cresciam ao lado do Jordão, agitando-se a cada brisa, eram apropriadas representações dos rabis que se haviam constituído críticos e juízes da missão do Batista. Eles pendiam nesta e naquela direção, segundo os ventos da opinião popular. Não se queriam humilhar para receber a penetrante mensagem do Batista, todavia por temor do povo não tinham ousado opor-se abertamente a sua obra. O mensageiro de Deus, porém, não era de espírito assim covarde. As multidões reunidas em torno de Cristo tinham testemunhado a obra de João. Haviam-lhe escutado a destemida repreensão do pecado. Aos fariseus cheios de justiça própria, aos sacerdotes saduceus, ao rei Herodes e sua corte, príncipes e soldados, publicanos e camponeses, a todos falara João com igual franqueza. Não era uma cana trêmula, agitada pelos ventos do louvor ou preconceitos humanos. Na prisão, foi, em sua lealdade para com o Senhor e seu zelo pela justiça, o mesmo que ao pregar a mensagem de Deus no deserto. Em sua fidelidade aos princípios, era firme como a rocha.

Jesus continuou: "Sim, que fostes ver? um homem ricamente vestido? Os que trajam ricamente estão na casa dos reis". Mateus 11:8. João fora chamado a reprovar os pecados e excessos de seu tempo, e seu singelo vestuário e vida abnegada estavam em harmonia com seu caráter e missão. Ricos trajes e os luxos da vida não constituem a porção dos servos de Deus, mas dos que residem "nas casas dos reis", os dominadores deste mundo, aos quais pertencem seu poder e riquezas. Jesus desejava chamar a atenção para o contraste existente entre o vestuário de João, e o que era usado pelos sacerdotes e líderes. Esses oficiais paramentavam-se com ricas vestimentas e dispendiosos ornamentos. Amavam a ostentação, e esperavam deslumbrar o povo, impondo assim mais consideração. Estavam mais ansiosos de conquistar a admiração dos homens, do que de obter a pureza íntima, que tem a aprovação de Deus. Mostravam assim que sua lealdade não era para com Deus, mas com o reino deste mundo.

"Mas então que fostes ver?" disse Jesus; "um profeta? sim, vos digo Eu, e muito mais do que profeta; porque é este de quem está escrito: "Eis que diante da Tua face envio o Meu anjo, que preparará diante de Ti o Teu caminho. Em verdade vos digo que, entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João Batista". Mateus 11:9-11. No anúncio feito a Zacarias, antes do nascimento de João, o anjo declarara: "Será grande diante do Senhor". Lucas 1:15. Que, em face da maneira de avaliar do Céu, constitui a grandeza? Não o que o mundo considera como tal; não riqueza, nem posição, nem nobreza de linhagem, nem dons intelectuais considerados em si mesmos. Se grandeza intelectual, à parte de qualquer consideração mais elevada, é digna de honra, então Satanás merece nossa homenagem, que suas faculdades intelectuais nenhum homem já igualou. Mas, quando pervertido para o serviço do próprio eu, quanto maior o dom, tanto maior maldição se torna. Valor moral, eis o que é estimado por Deus. Amor e pureza são os atributos que mais aprecia. João era grande aos olhos do Senhor quando, em presença dos emissários do Sinédrio, diante do povo e perante seus próprios discípulos, se absteve de buscar honra para si, mas encaminhou todos para Jesus como o Prometido. Sua desinteressada alegria no ministério de Cristo, apresenta o mais elevado tipo de nobreza já revelado em homem.

O testemunho dado a seu respeito, depois de morto, pelos que o ouviram testificar de Jesus, foi: "João não fez sinal algum, mas tudo quanto João disse dEste era verdade". João 10:41. Não foi concedido ao Batista fazer cair fogo do Céu, ou ressuscitar um morto, como fizera Elias, ou empunhar a vara do poder de Moisés em nome de Deus. Foi enviado para anunciar o advento do Salvador, e chamar o povo a preparar-se para Sua vinda. Tão fielmente cumpriu ele sua missão, que, ao recordar o povo o que lhes ensinara a respeito de Jesus, podiam dizer: "Tudo quanto  João disse dEste era verdade." Um testemunho assim todo discípulo de Cristo é chamado a dar de seu Mestre.

Como precursor do Messias, João era "muito mais do que profeta". Pois ao passo que os profetas haviam visto de longe o advento de Cristo, a João foi dado contemplá-Lo, ouvir do Céu o testemunho de Sua messianidade, e apresentá-Lo a Israel como o Enviado de Deus. Todavia, Jesus disse: "Aquele que é o menor no reino dos Céus é maior do que ele". Mateus 11:11.

O profeta João foi o elo que ligou as duas dispensações. Como representante de Deus, apresentou-se para mostrar a relação da lei e dos profetas para com a dispensação cristã. Era a luz menor, que havia de ser seguida por outra maior. A mente de João era iluminada pelo Espírito Santo, a fim de que projetasse luz sobre seu povo; nenhuma outra luz, porém, nunca brilhou nem jamais brilhará tão claramente sobre os caídos homens, como a que emanou dos ensinos e exemplos de Jesus. Cristo e Sua missão, segundo eram tipificados nos sacrifícios simbólicos, não foram compreendidos senão muito vagamente. O próprio João não entendera plenamente a vida futura e imortal mediante o Salvador.

Exceto a alegria que João encontrara em sua missão, sua existência foi de dores. Raras vezes fora sua voz ouvida a não ser no deserto. O isolamento foi a sorte que lhe coube. E não lhe foi dado ver os frutos de seus labores. Não teve o privilégio de estar com Cristo, e testemunhar a manifestação de poder divino que acompanhava a maior luz. Não lhe foi concedido ver o cego utilizando a visão, o enfermo restabelecido e o morto ressuscitado. Não contemplou a luz que irradiava de cada palavra de Cristo, derramando glória sobre as promessas da profecia. O menor discípulo que viu as poderosas obras de Cristo, e Lhe ouviu as palavras, foi, nesse sentido, mais altamente privilegiado que João Batista e, portanto, diz-se ter sido maior do que ele.

Através das vastas multidões que haviam escutado as pregações de João, sua fama espalhara-se pela terra. Profundo era o interesse sentido quanto ao resultado de sua prisão. Mas sua vida irrepreensível, e o forte sentimento público em seu favor levavam a crer que nenhuma medida violenta seria tomada contra ele.

Herodes acreditava que João era profeta de Deus, e tinha toda a intenção de o pôr em liberdade. Adiava, porém, seu desígnio, por temor de Herodias.

Herodias sabia que, por meios diretos, nunca poderia obter o consentimento de Herodes para a morte de João, e resolveu realizar seu intento por meio de estratagema. No dia do aniversário do rei, devia ser oferecida uma festa aos funcionários do Estado e aos nobres da corte. Haveria banquete e bebedice. Herodes ficaria assim sem o natural controle, podendo ser então influenciado segundo a vontade dela.

Ao chegar o grande dia, e estar o rei se banqueteando e bebendo com seus grandes, Herodias mandou sua filha à sala do banquete para dançar a fim de entreter os convivas. Salomé estava no viço da juventude, e sua voluptuosa beleza cativou os sentidos dos nobres comensais. Não era costume que as senhoras da corte aparecessem nessas festividades, e foi prestada a Herodes lisonjeira homenagem, quando essa filha de sacerdotes e príncipes de Israel dançou para entretenimento de seus convidados.

O rei estava perturbado pelo vinho. A razão foi destronada e a paixão tomou o comando. Viu unicamente a sala de prazer, com os divertidos hóspedes, a mesa do banquete, o vinho cintilante, o brilho das luzes e a jovem que dançava diante dele. No impulso do momento, desejou fazer qualquer exibição que o exaltasse diante dos grandes do reino. Com juramento, prometeu dar à filha de Herodias fosse o que fosse que ela pedisse, até mesmo a metade do reino.

Salomé correu para a mãe, a fim de saber o que devia pedir. A resposta estava pronta — a cabeça de João Batista. Salomé desconhecia a sede de vingança que havia no coração da mãe, e recuou ante a idéia de apresentar esse pedido; a decisão de Herodias prevaleceu, porém. A menina voltou com a terrível petição: "Dá-me aqui num prato a cabeça de João Batista". Mateus 14:8.

Herodes ficou atônito e confundido. Cessou a ruidosa festa, e um sinistro silêncio baixou sobre a cena de orgia. O rei sentiu-se tomado de horror ante a idéia de tirar a vida de João. No entanto, sua palavra estava empenhada, e não queria parecer inconstante ou precipitado. O juramento fora feito em honra dos hóspedes, e se um deles houvesse proferido uma palavra contra o cumprimento da promessa, de boa vontade teria poupado o profeta. Deu-lhes oportunidade de falar em favor do preso. Eles haviam caminhado longas distâncias para ouvir a pregação de João, e sabiam ser ele homem isento de crime, e servo de Deus. Mas, conquanto chocados com o pedido da jovem, estavam demasiado embrutecidos para fazer qualquer objeção. Voz alguma se ergueu para salvar a vida do mensageiro do Céu. Estes homens ocupavam altas posições de confiança na nação, e sobre eles pesavam sérias responsabilidades; tinham-se, no entanto, entregue a comer e a beber até que os sentidos lhes ficaram embotados. Transtornou-se-lhes o cérebro com a estonteante cena de música e dança, e a consciência jazia adormecida. Com seu silêncio, proferiram a sentença de morte contra o profeta de Deus, para satisfazer a vingança de uma mulher depravada.

Herodes em vão esperou para ser libertado do juramento; então, relutantemente, ordenou a execução do profeta. Em breve a cabeça do Batista foi levada perante o rei e os hóspedes. Selados estavam para sempre aqueles lábios que fielmente advertiram Herodes para se desviar da vida de pecado. Nunca mais se ouviria aquela voz, chamando os homens  ao arrependimento. A orgia de uma noite custaria a vida de um dos maiores profetas.

Oh! quantas vezes tem a vida de um inocente sido sacrificada em razão da intemperança dos que deviam ter sido os guardas da justiça! Aquele que leva aos lábios a taça intoxicante, torna-se responsável por toda injustiça que possa cometer sob sua embrutecedora influência. Entorpecendo os sentidos, torna a si mesmo impossível julgar serenamente ou ter clara percepção do direito e do erro. Abre a Satanás o caminho para operar por meio dele em oprimir e destruir o inocente. "O vinho é escarnecedor, e a bebida forte alvoroçadora; e todo aquele que neles errar nunca será sábio". Provérbios 20:1. É por isso que "o juízo se tornou atrás, ... e quem se desvia do mal arrisca-se a ser despojado". Isaías 59:14, 15. Aqueles que têm jurisdição sobre a vida de seus semelhantes, deveriam ser considerados culpados de um crime quando se entregam à intemperança. Todos quantos executam as leis, devem ser observadores das mesmas. Cumpre-lhes ser homens de domínio próprio. Precisam ter inteiro controle sobre suas faculdades físicas, mentais e morais, a fim de possuírem vigor intelectual e elevado senso de justiça.

A cabeça de João Batista foi levada a Herodias, que a recebeu com infernal satisfação. Exultou em sua vingança, e lisonjeou-se de que não mais a consciência de Herodes seria perturbada. Nenhuma felicidade, porém, lhe adveio de seu pecado. Seu nome tornou-se notório e aborrecido, ao passo que Herodes foi mais atormentado pelo remorso do que o havia sido pelas advertências do profeta. A influência dos ensinos de João não emudeceu; ela se devia estender a cada geração até ao fim dos séculos.

O pecado de Herodes estava sempre diante dele. Buscava constantemente alívio às acusações da consciência culpada. Sua confiança em João ficou inabalável. Ao recordar-lhe a vida de abnegação, seus solenes e fervorosos apelos, seu são juízo no conselho, e lembrar então de como morrera, Herodes não podia encontrar sossego. Empenhado nos negócios do Estado, recebendo honras dos homens, apresentava rosto sorridente e aspecto de dignidade, ao passo que ocultava o coração ansioso, sempre oprimido pelo temor de que pesava sobre ele uma maldição.

Herodes ficara profundamente impressionado pelas palavras de João, de que não se pode ocultar coisa alguma a Deus. Estava convencido de que Ele Se acha presente em todo lugar, que testemunhara a orgia na sala do banquete, ouvira a ordem de degolar a João, e vira Herodias exultante, e os insultos que proferira para a decapitada cabeça de seu reprovador. E muitas coisas que Herodes ouvira dos lábios do profeta falavam-lhe agora à consciência mais distintamente do que fizera a pregação no deserto.

Quando Herodes ouviu falar das obras de Cristo, sentiu-se imensamente perturbado. Pensou que Deus ressuscitara a João, e o enviara ainda com mais poder para condenar o pecado. Vivia em constante temor de  que João vingasse sua morte condenando-o, a ele e a sua casa. Herodes estava ceifando aquilo que Deus declarara ser o resultado do pecado — "coração tremente, e desfalecimento dos olhos, e desmaio da alma. E a tua vida como suspensa estará diante de ti; e estremecerás de noite e de dia, e não crerás na tua própria vida. Pela manhã dirás: Ah! quem me dera ver a noite! E à tarde dirás: Ah! quem me dera ver a manhã! pelo pasmo de teu coração, com que pasmarás, e pelo que verás com os teus olhos". Deuteronômio 28:65-67. Os próprios pensamentos do pecador são seus acusadores; e não pode haver mais penetrante tortura que os aguilhões da consciência culpada, que não lhe dá repouso nem de dia nem de noite.

Para muitos espíritos, um profundo mistério envolve a sorte de João Batista. Indagam porque teria sido deixado a definhar-se e perecer na prisão. O mistério dessa escura providência, nossa visão humana não pode penetrar; não poderá, no entanto, nunca abalar nossa confiança em Deus, quando nos lembramos de que João nada mais foi do que um participante dos sofrimentos de Cristo. Todos quantos O seguem hão de cingir a coroa do sacrifício. Serão indubitavelmente malcompreendidos pelos egoístas, e se tornarão alvo dos ferozes assaltos de Satanás. Esse princípio de abnegação é que seu reino se propôs destruir, e guerreá-lo-á onde quer que se manifeste.

A infância, juventude e idade adulta de João caracterizam-se pela firmeza e poder moral. Quando sua voz se fizera ouvir no deserto, dizendo: "Preparai o caminho do Senhor, endireitai as Suas veredas" (Mateus 3:3), Satanás temeu pela segurança de seu reino. A culpabilidade do pecado era revelada de tal maneira, que os homens tremiam. Foi despedaçado o poder de Satanás sobre muitos que lhe haviam estado sob o controle. Ele fora incansável em procurar afastar o Batista de uma vida de incondicional submissão a Deus; fracassara, porém. E fracassara igualmente quanto a Jesus. Na tentação do deserto, Satanás fora derrotado, e grande havia sido seu furor. Decidira agora causar dor a Cristo, ferindo a João. Àquele a quem não conseguia instigar ao pecado, havia de causar sofrimento.

Jesus não Se interpôs para livrar Seu servo. Sabia que João havia de suportar a prova. De boa vontade teria o Salvador ido ter com João, para, com Sua presença, aclarar-lhe as sombras do cárcere. Mas não Se devia colocar nas mãos dos inimigos e pôr em perigo Sua própria missão. Com prazer teria libertado Seu fiel servo. Mas por amor de milhares que haveriam em anos posteriores, de passar da prisão para a morte, João devia beber o cálice do martírio. Ao haverem os seguidores de Jesus de definhar em solitárias celas, ou perecer pela espada, e pela tortura, ou na fogueira, aparentemente abandonados de Deus e do homem, que esteio não lhes seria ao coração o pensamento de que João Batista, de cuja fidelidade o próprio Cristo dera testemunho, passara por idêntica experiência!

Foi permitido a Satanás abreviar a vida terrena do mensageiro de Deus; mas aquela vida que "está escondida com Cristo em Deus" (Colossences 3:3), o destruidor não podia atingir. Exultou por haver ocasionado aflição a Jesus, mas fracassara em vencer a João. A morte em si mesma apenas o colocara para sempre além do poder da tentação. Nessa contenda Satanás estava revelando o próprio caráter. Manifestou, em presença do expectante Universo, sua inimizade para com Deus e o homem.

Conquanto nenhum miraculoso livramento fosse proporcionado a João, ele não fora abandonado. Tivera sempre a companhia dos anjos celestiais, que lhe abriram as profecias concernentes a Cristo, e as preciosas promessas da Escritura. Estas foram seu sustentáculo, como haviam de ser do povo de Deus nos séculos por vir. A João Batista, como aos que vieram depois dele, foi dada a segurança: "Eis que Eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos". Mateus 28:20.

Deus nunca dirige Seus filhos de maneira diversa daquela por que eles próprios haveriam de preferir ser guiados, se pudessem ver o fim desde o princípio, e perscrutar a glória do desígnio que estão realizando como colaboradores Seus. Nem Enoque, que foi trasladado ao Céu, nem Elias, que ascendeu num carro de fogo, foi maior ou mais honrado do que João Batista, que pereceu sozinho na prisão. "A vós vos foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nEle, como também padecer por Ele". Filipenses 1:29. E de todos os dons que o Céu pode conceder aos homens, a participação com Cristo em Seus sofrimentos é o mais importante depósito e a mais elevada honra. 

E.G.White - "O Desejado de Todas as Nações"

terça-feira, 26 de outubro de 2021

HALLOWEEN: Um Doce Engano


Enquanto estava trabalhando com o livro Os Ungidos, a versão de Profetas e Reis, de Ellen White, com linguagem preparada para adolescentes, encontrei um texto que chamou muito a minha atenção. Ao se referir à triste condição do antigo povo de Israel, que havia se afastado tanto de Deus a ponto de seus líderes buscarem conselho e até mesmo cura entre os representantes do príncipe das trevas, a autora diz o seguinte: “Hoje em dia, as pessoas talvez não se ajoelhem diante de deuses pagãos; porém, milhares estão adorando no altar de Satanás assim como o rei de Israel. […] A fé na segura palavra da profecia está em decadência e, em seu lugar, superstições e magia cativam a mente de muitos. Os mistérios do culto pagão são substituídos pelo ocultismo e fenômenos dos médiuns espíritas. As revelações desses médiuns são recebidas com interesse por milhares que se recusam a aceitar a luz por meio da Palavra de Deus. Há muitos que nem podem se imaginar consultando médiuns espíritas, mas são atraídos por formas mais agradáveis do espiritismo” (Itálico acrescentado, página 93).

Sempre me surpreende a atualidade das palavras dessa mulher que gostava de ser chamada mensageira do Senhor. Você também não teve a impressão de que o texto se refere exatamente ao que tem acontecido hoje?

Permita-me citar apenas um exemplo, aproveitando que estamos no mês em que uma festa aparentemente inocente tem se tornado cada vez mais popular, sendo comemorada até mesmo no meio cristão. Estou me referindo ao Halloween, ou Dia das Bruxas, como ficou conhecido no Brasil.

Diferente do que alguns pensam, o Halloween não nasceu nos Estados Unidos. Ele teve origem com os celtas, um povo bastante antigo que habitou a Europa na Idade Média, e estava relacionado a um festival pagão chamado Samhain, ou a Festa dos Mortos. Os descendentes dos celtas que moravam na Irlanda no século 19 acabaram levando esse costume para a América do Norte quando a colheita de batatas falhou e eles precisaram se mudar para um lugar em que pudessem se manter.

De acordo com informações da bruxaria moderna (Wicca), os celtas acreditavam que quando uma pessoa morria, ela ia morar com o povo das fadas. Para muitos deles, as fadas eram consideradas hostis e perigosas, porque teriam ficado ressentidas quando os homens tomaram seu lugar sobre a Terra. Depois da chegada dos cristãos, os celtas passaram a acreditar que “as fadas eram os anjos que não haviam se aliado nem com Deus nem com Lúcifer em sua disputa, e assim foram condenados a andar na Terra, até o dia do julgamento” (Citado no blog Gato Místico, sobre as origens do Halloween).

Como o Samhaim equivalia ao ano novo para os celtas, esse era o tempo em que, para eles, o véu entre os mundos se tornava mais fino, e os vivos podiam se comunicar com os mortos.

Era comum as famílias deixarem do lado de fora das casas uma oferenda de alimentos, como uma forma de ficar em paz com os mortos. Acreditava-se que, além das fadas, muitos seres humanos saíam às ruas, passando-se por fadas para enganar as pessoas. Aqueles que não deixavam suas oferendas, eram amaldiçoados. Com a mistura dos rituais pagãos e católicos, foi acrescentado o costume de levar nabos esculpidos, com velas dentro para simbolizar uma alma presa no purgatório. Com o tempo, os nabos foram substituídos pelas lanternas de abóbora, que eram mais fáceis de encontrar e de esculpir.

Bem, é daí que se originaram as comemorações atuais envolvendo o Dia das Bruxas. As fantasias de fantasmas, vampiros, lobisomens, bruxas e zumbis são usadas como uma tentativa de confundir os espíritos dos mortos. E a frase típica “doces ou travessuras”, dita pelas crianças ao baterem à porta dos vizinhos, faz referência à oferenda pedida em troca de uma oração pelos mortos.

A palavra Halloween vem da expressão All Hallow’s Eve (Vigília de Todos os Santos) e está ligada ao dia 31 de outubro porque essa era a data que antecedia o Dia de Todos os Santos, comemorado pela Igreja Católica em 1º de novembro. Até hoje se comemora, na sequência, o Dia de Finados, em 2 de novembro.

Tendo conhecimento da origem dessa festa, podemos considerá-la apenas uma simples brincadeira inocente? Não seria essa comemoração também uma das “formas mais agradáveis do espiritismo”, logo que sua base está na crença na imortalidade da alma?

Não podemos nos deixar iludir se nosso interesse é estar em harmonia com a referência bíblica. “O culto aos mortos é, na verdade, o culto aos demônios” (Ellen White, Patriarcas e Profetas, página 686). E a Bíblia faz sérias advertências quanto aos enganos que Satanás usaria para desviar os filhos de Deus (1 Coríntios 10:20; Efésios 6:12; 1 Tessolonicenses 2:10; 1 Timóteo 4:1; 2 Pedro 2:1-4).

Fica aqui uma sugestão: aproveite a ocasião para ensinar, especialmente às crianças, por que os cristãos não devem participar de tal comemoração e as incentive para que sejam um raio de luz em meio às trevas (Isaías 60:1).


NEILA DE OLIVEIRA - CPB

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

DEZ menos UM = ZERO (Pr.Bullón)

DEZ menos UM = ZERO (Pr.Bullón)



Tu ordenaste os Teus mandamentos, para que os cumpramos à risca. Sal. 119:4.

Imagine isto: Eu lhe dou a receita de um bolo de chocolate. Escrevo tudo num papel: ingredientes, medidas e tempo de trinta minutos no forno, a trezentos graus. Você segue passo a passo as prescrições. Só muda um detalhe, ao invés de deixar o bolo no forno por trinta minutos, decide deixá-lo por cinco horas. Você teria um pedaço de carvão.

Imagine outro quadro. Você está com pneumonia e vai ao médico. Ele lhe dá a prescrição. Você segue tudo ao pé da letra, só que em vez de tomar o antibiótico de oito em oito horas, você decide tomar todo o frasco de uma só vez. Você estaria morto.

Há pessoas que acham que as recomendações divinas não funcionam. Mas se você observar, essas pessoas não seguem as prescrições divinas “à risca”, como é o conselho do salmista no verso de hoje.

Os eruditos não sabem definir quem foi o autor do Salmo 119, mas quem quer que tenha sido, escreveu-o por inspiração divina. Com clareza e contundência.

Os ensinamentos divinos não foram dados ao ser humano para que os discutisse ou os adaptasse, mas para serem cumpridos “à risca”. Qualquer outra atitude por parte do homem é temerária, perigosa e fatal.

Escrevo esta meditação no avião que me conduz de São Paulo a Buenos Aires. São exatamente 23:05. A aeromoça acaba de anunciar que o avião começa o procedimento de descida. Estamos já finalizando o vôo de três horas e me pergunto: O que seria dos passageiros se o piloto decidisse não seguir um “pequeno detalhe” como soltar o trem de aterrissagem?

Vale a pena rever nossos “procedimentos” todos os dias. Estou seguindo “à risca” as recomendações divinas? Observar tudo e deixar de lado apenas um assunto, por insignificante que pareça, pode ser fatal.

O que não está funcionando na sua vida? O casamento? Os negócios? O relacionamento com os filhos? Olhe para os conselhos divinos e peça forças a Deus para seguir esses conselhos “à risca” e verá como muita coisa vai mudar. Clame ao Senhor hoje e diga: “Tu ordenaste os Teus mandamentos para que os cumpramos à risca.” 

(Pr. Alejandro Bullón)

terça-feira, 5 de outubro de 2021

Luta Cristã: É uma luta de absoluta necessidade

 


Não pense que nesta guerra você pode permanecer neutro e ficar parado. Tal linha de ação pode ser possível na luta das nações, mas é totalmente impossível nesse conflito que diz respeito à alma. A política vangloriosa de não-interferência, a "inatividade magistral" que agrada a tantos estadistas, o plano de manter calma e deixar as coisas rolarem sozinhas—tudo isso nunca vai ajudar na guerra Cristã. Aqui de qualquer forma ninguém pode escapar sob o argumento de que ele é "um homem de paz".  Estar em paz com o mundo, a carne e o diabo é estar em inimizade com Deus, no caminho largo que conduz à destruição. Não temos escolha ou opção. Devemos lutar ou se perder.

J.C.RYLE 

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