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domingo, 10 de agosto de 2014

ARTIGOS SOBRE A TRINDADE - O ESPÍRITO SANTO

O ESPÍRITO SANTO

Pedro Apolinário – Sermões Exaltando a Verdade – Casa Publicadora Brasileira – 1a. Edição
Professor de Grego e Exegese Bíblica do Seminário Latino Americano de Teologia – Eng. Coelho, S.P


O que é Espírito Santo?
O Espírito Santo é um Ser vivo, dotado de personalidade própria, uma Pessoa divina. Não é como crêem alguns: meramente uma influência ou emanação de Deus.
Nas páginas do Novo Testamento Ele é designado pelos seguintes nomes:
a) Espírito de Deus (Romanos 8:14)
b) Espírito de Cristo (Romanos 8:9)
c) Espírito do Pai (Mateus 10:20)
d) Espírito do Senhor (II Coríntios 3:17)
e) Espírito Santo (Atos 2:1-4)
f) Espírito da Sabedoria e Revelação (Efésios 1:17)
g) Espírito de Poder, de Amor e de Bom Senso (II Timóteo 1:7)
h) Espírito de Santificação (I Coríntios 4:2 1)
i)  Espírito de Consolo (Atos 9:3 1)
5)  Espírito da Glória (I Pedro 4:14)
k) Espírito da Verdade (João 14:17; 16:13)

Seu Valor
O  Espírito Santo é, muitas vezes, posto pelos cristãos num lugar inferior com relação ao Pai e ao Filho. Será que a Bíblia O coloca num lugar inferior quando comparado com os demais membros da Trindade? A resposta só pode ser um enfático não.
A idéia que alguns têm de ser o Espírito Santo inferior precisa ser afastada de nosso meio. A subordinação de Jesus a Deus e do Espírito Santo a Cristo, só existe no Plano da Redenção. Numa organização diferentes membros realizam diferentes funções. O mesmo é certo em relação à Trindade. As três Pessoas da Trindade Se apresentam como Fonte, Mediador e Comunicador.
As Páginas Sagradas O exaltam e O põem no mesmo pé de igualdade com o Pai e o Filho. A valorização que a Bíblia Lhe dá está no seguinte:
a) Ele desempenha um papel muito importante em nossa salvação.

b) Ele foi quem inspirou os autores das Escrituras (I Pedro 1:21).
c) Ele é mencionado 88 vezes no Antigo Testamento e 262 vezes no Novo Testamento. Esta acentuada ocorrência é uma evidência do Seu valor.
d) Oramos ao Pai em nome do Filho, mas nos esquecemos de que é o Espírito Santo que intercede por nós com “gemidos inexprimíveis”.
e) A nossa salvação depende da aceitação de Cristo em nossa vida mas o Espírito Santo é o meio que Deus usa para alcançar os pecadores.
f)  Sendo a terceira Pessoa da Trindade, Ele tem o mesmo direito ao culto e à adoração.
Como igreja precisamos estudar mais e falar mais sobre o Espírito Santo.
Em virtude de cristãos de outras denominações atualmente falarem muito sobre o Espírito Santo, e a grande ênfase que os movimentos ca­rismáticos Lhe dão, é necessário um estudo mais acurado para compreender melhor o assunto.
A compreensão da Trindade e do Espírito Santo talvez sejam os dois maiores mistérios do cristianismo. É bom saber que a palavra mistério tem na Bíblia um significado diferente do que aquele que comumente lhe damos. “Mistério” é algo desconhecido ao homem até que Deus o revele.
Há muitas idéias errôneas sobre a natureza e função do Espírito Santo. É da máxima importância termos conceitos exatos sobre Ele. É im­portante compreender Sua essência, Seu poder, Sua relação para com o Pai e o Filho, bem como Sua relação para conosco e a destacada tarefa que executará em nosso favor e nos eventos finais da história deste mundo. Essa importância é destacada por Ellen G. White: “Esta prometida bênção (recebimento do Espírito Santo), reivindicada pela fé, traz consigo todas as demais bênçãos.” —      Obreiros Evangélicos, pág. 285.

Opiniões Opostas Sobre o Espírito Santo

Quanto a este problema o mundo cristão está dividido em dois grandes grupos:
1- Os que crêem que o Espírito Santo é um ser pessoal (a terceira Pessoa da Trindade).
2- Os que defendem ser Ele uma força, uma influência, um poder.
Sendo a Bíblia a única fonte segura de informação capaz de revelarnos a verdade sobre estes dois posicionamentos divergentes, é em suas páginas que encontraremos luz para a solução do problema.
Um conhecimento lógico, inteligente e cristão apenas é encontrado na Bíblia.
Argumentos contestando ser uma pessoa:
a) O Espírito Santo é o poder do Altíssimo (Lucas 1:35).
b) No Antigo Testamento o Espírito Santo era uma essência que en­sinava e fortalecia (Efésios 3:16).
c) Sendo algo que se derrama não pode ser uma pessoa (Atos 2:17).

Um conhecimento lógico, inteligente e cristão apenas é encontrado na Bíblia.
Argumentos contestando ser uma pessoa:
a) O Espírito Santo é o poder do Altíssimo (Lucas 1:35).
b) No Antigo Testamento o Espírito Santo era uma essência que en­sinava e fortalecia (Efésios 3:16).
c) Sendo algo que se derrama não pode ser uma pessoa (Atos 2:17).

Provas através dos Atos

a) Ele fala: “Disse o Espírito Santo: Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado” (Atos 13:2).
b) Ele convence: “Quando Ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo” (João 16:8).
c) Ele intercede: “O mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis” (Romanos 8:26).
d) Ele conforta, ensina e faz lembrar: “Mas o Consolador, o Espírito Santo,... vos fará lembrar de tudo que vos tenho dito” (João 14:26).
e) Uma força ou poder jamais poderá confortar, ensinar e fazer lembrar, porque estas características são próprias de pessoas e não de coisas.

Provas através das Reacões
1) Pode-se resistir a Ele (Atos 7:5 1). Resistir é recusar-se a aceitar as evidências e deixar de crer.
2) Ele pode ser entristecido (Efésios 4:30).
3) Ele pode ser insultado (Hebreus 10:29). Ultrajar significa insultar, tratar as coisas espirituais com leviandade.
4) Pode ser blasfemado (Mateus 12:3 1). Blasfêmia é a consciente rejeição da salvação, apesar de todas as evidências que o Espírito Santo co­loca diante da pessoa para convencê-la. O Espírito Santo não é uma simples Pessoa, mas uma Pessoa divina, pois os mesmos atributos que a Bíblia aplica a Deus são aplicados a Ele:
a) Ele é Onipresente (Salmo 139:7).
b) Ele é Onisciente (1 Coríntios 2:10).
c) Ele é Onipotente (Jó 33:4).
Leitura atenta de 1 Coríntios 2:11 e 12:11 nos indica que o Espírito Santo é uma pessoa porque possui uma mente com conhecimento e vontade.
“Precisamos reconhecer que o Espírito Santo, que é tanto uma pessoa como o próprio Deus, está andando por estes terrenos.” —        Evange­lismo, pág. 616.
“A natureza do Espírito Santo é um mistério. Os homens não a po­dem explicar, porque o Senhor não lho revelou. Com fantasiosos pontos de vista, podem-se reunir passagens da Escritura e dar-lhes um significado humano; mas a aceitação destes pontos de vista não fortalecerá a igreja. Com relação a tais mistérios demasiado profundos para o entendimento humano o silêncio é ouro.” Atos dos Apóstolos, pág. 52.

Dez Importantes Funções ou Ministérios do Espírito Santo

1-  Convencer o mundo do pecado. Jesus colocou a convicção do peca­do como a primeira obra do Espírito Santo. “Quando o Espírito Santo vier, Ele convencerá a gente do mundo de que eles têm uma idéia erra­da a respeito do pecado” (João 16:8, BLH).

Sem consciência do pecado não há arrependimento. O Seu trabalho é mostrar o pecado e levar-nos ao arrependimento.
2-  Convencer o mundo da justiça. E trabalho do Espírito Santo convencer-nos de que em nós não há nenhuma justiça. Precisamos aceitar a justiça de Cristo que vem unicamente pela fé.
3-  Convencer-nos do juízo vindouro. Sempre devemos ter a consciência de que no final compareceremos diante do Tribunal Celeste. É o Espírito Santo que nos preparará para a aprovação neste exame final.
4-  Guiar-nos em toda a verdade. “Porém, quando o Espírito da verdade vier, Ele os guiará em toda a verdade” (João 16:13, BLH). Um dos papéis significativos do Espírito Santo é capacitar-nos para entendermos todas as verdades da Bíblia.
5-  Glorificar a Cristo. Uma das tarefas mais significativas foi a de glo­rificar a Cristo na mente e no coração dos discípulos depois de Sua ascensão (João 16:14).
“Tão verdadeiro é agora como nos dias dos apóstolos, que sem a ilu­minação do Espírito divino, a humanidade não pode discernir a glória de Cristo.” O Desejado de Todas as Nações, pág. 508.
Um dos trabalhos mais significativos do Espírito Santo é levar-nos a glorificar a Cristo.
6-Apresentara Deus as orações dos crentes em uma forma aceitável é um trabalho importante do Espírito Santo (Romanos 8:26).
7-  Agir poderosamente na Igreja para estabelecê-la e transformá-la num corpo bem unido (1 Coríntios 12:13 e 14)
8-  Conceder dons especiais aos dirigentes e aos membros da Igre­ja para sua edificação e para a propagação do evangelho (Efésios 4:11-13).
9-  Levar os membros da Igreja a produzir frutos (Gálatas 5:22 e 23).
10- Foi outorgado à Igreja para ensinar (1 Coríntios 2:10), para dirigir (João 16:13),para dar poder (João 16:13) e para falar quando fosse necessário. “E essencial que o cristão compreenda o significado da promessa do Espírito Santo pouco antes da segunda vinda de nosso Senhor Jesus. Falai sobre ela, orai por ela, pregai a seu respeito; pois o Senhor está mais disposto a conceder o Espírito Santo do que os pais a dar boas dádivas a seus filhos.” —       Review and He­raId, 15(11/1892.

F. E. Marsh tem uma sugestiva página sobre o trabalho do Espírito Santo:

“Em nós Ele é:
“Uma luz a iluminar;
“Um amigo para aconselhar;
“Um mestre para ensinar;
“Um confortador para animar;
“Um guia para orientar;
 “Um fogo para purificar;
“Uma força e poder para nos guardar;
“Um memorial para nos levar a recordar todas
as preciosas promessas de Deus.” —     Emblems of the Holy Spirit, pág. 246.

Que é Batismo no Espírito Santo?

“Ao aceitarmos pessoalmente a Jesus como nosso Salvador recebemos o Espírito Santo. O batismo no Espírito Santo ou conversão precede o batismo na água.” Nota da Lição da Escola Sabatina do dia 5/11/1978.
Batismo no Espírito Santo é o momento em que O recebemos como um habitante em nossa vida. Paulo nos ensina esta verdade suprema:
Ninguém é um bom cristão se o Espírito Santo não habitar nele (Roma­nos 8:9).
A tradução de João 1:33 deve ser “no” e não “com” de acordo com o ori­ginal grego. Este batismo seria um revestimento de poder mediante o qual os discípulos ficariam entregues ao cuidado completo do Espírito Santo.
Pedro aplicando a linguagem de Joel ao Pentecostes explicou que ser batizado no Espírito Santo significava que os apóstolos ficaram capaci­tados a testemunhar das grandezas de Deus, como estavam fazendo naquele momento (Atos 2:11).

Dons do Espírito Santo

Deve-se notar que dom do Espírito não é a mesma coisa que dons ou frutos do Espírito. Dom (dôron) significa o próprio Espírito Santo que é dado no momento da conversão. Os dons (karismata) são as capacitações que o crente recebe para promover a obra de Deus.
Por sua vez, o dom do Espírito não é a mesma coisa que fruto do Espírito (Gálatas 5:22 e 23). “O primeiro compreende a dotação com o poder divino de indivíduos na Igreja com o propósito de levar à perfeição. Fruto do espírito é qualidade de caráter visível nos membros da Igreja que se ren­dem inteiramente à guia do Espírito Santo.” —       SDABC, vol. 6, pág. 268.

Símbolos Para o Espírito Santo

Símbolo é uma figura ou imagem que serve para representar alguma coisa. Tanto o Antigo como o Novo Testamento apresentam o Espírito Santo mediante vários símbolos. Uma das figuras mais familiares para representá-Lo é a pomba, embora só empregada uma vez. Outro símbo­lo bastante comum nos dois testamentos é a água. Segue-se-lhe em im­portância o fogo, o vento e o óleo.
Como emblema do Espírito, a pomba é o símbolo da pureza e da paz.
A água é um símbolo comum judaico-cristão para indicar o Espírito. Assim como a água refrigera e transmite vida ao corpo satisfazendo a se­de, assim também Cristo por meio da terceira Pessoa da Trindade refrigera, satisfaz e dá vida à alma (João 7:37-39).
O  Espírito Santo é representado pelo fogo. “Para o pecado, onde quer que se encontre, ‘nosso Deus é um fogo consumidor’ (Hebreus 12:29). O Espírito de Deus consumirá o pecado em todos quantos se submeterem a Seu poder. Se os homens, porém, se apegarem ao pecado, ficarão com ele identificados. Então a glória de Deus, que destrói o pecado, tem que destruí-los.” O Desejado de Todas as Nações, pág. 107.
O  vento não é visível; não sabemos de onde vem nem para onde vai. O Espírito Santo não pode ser visto, mas os efeitos manifestos em vidas humanas transformadas são muito evidentes.
O  óleo é também um símbolo do Espírito Santo. Ver Parábolas de Je­sus, pág. 407. Como a lâmpada do tempo de Cristo não produzia luz sem óleo, assim o cristão não pode levar luz ao mundo, como está comissionado a fazer (Mateus 5:14-16), sem o Espírito em sua vida.

A Plenitude do Espírito

O  que significa a plenitude do Espírito Santo? Estar pleno do Espírito significa estar cheio. Paulo diz: “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito” (Efésios 5:18). Es­ta expressão é figurada, pois o Espírito não é um líquido ou gás para en­cher literalmente alguém.

Pelas palavras de Paulo, em Gálatas 2:20, podemos dizer que estar cheio do Espírito Santo é ser dirigido pelo Espírito Santo. Quando estamos cheios do Espírito, Cristo está vivendo e operando através de nossa vida.
Em Parábolas de Jesus, pág. 139, lemos: Cristo “cotidianamente rece­bia o novo batismo através do Espírito Santo”. Através de seus escritos Ellen G. White usa a frase “batizados com o Espírito” no sentido de estar cheios do Espírito.



                                                       Conclusão

“Não há limites à utilidade de uma pessoa que, pondo de par­te o próprio eu, oferece margem à operação do Espírito Santo na al­ma, e vive uma vida de inteira consagração a Deus.” —     O Desejado de Todas as Nações, págs. 250 e 251.     

O Espírito Santo não é apenas uma doutrina na qual crer, mas um Ser divino empenhado em prol da nossa salvação. Sendo Deus, é digno de toda honra e adoração.

Entreguemo-nos ao poder do Espírito Santo para sermos transformados e irmos com Cristo para o Lar Eterno.

domingo, 3 de agosto de 2014

ARTIGOS SOBRE A TRINDADE - LIGEIRO ESTUDO DE PROVÉRBIOS 8:22-24



Ligeiro Estudo de Provérbios 8:22-24/79

LIGEIRO ESTUDO DE PROVÉRBIOS 8:22-24

Arnaldo B. Christianini
 Radiografia do Jeovismo - Cap.9 - 3a. Edição - CASA


No capitulo oitavo de seu livro de Provérbios, Salomão compõe interessante parábola, ou melhor, uma alegoria para descrever a excelência da sabe­boria. Em linguagem figurada, descreve o surgimento da sabedoria, sua antiguidade inescrutável, sua partici­pação na criação, seu valor inapreciável e seu regozijo com os homens. É o passo do Velho Testamento que as pseudo-testemunhas de Jeová exploram abusivamente para tentarem demonstrar que Cristo fora criado. A tra­dução feita por eles é esta ou semelhante a esta:

“Jeová me fez no começo do seu caminho, antes das suas obras da antiguidade.” (Verso 22).

E nisto querem seguir a Versão dos LXX, ou Septuaginta, toda em grego, que consigna: “O Senhor me criou... “, da qual os arianos tanto abusaram com o fim de defenderem seu estrambótico unitarismo. E desta forma forçam o verbo hebraico qânâh (que no texto aparece numa forma imperfeita e pronominal qananí) a ter o sentido de “criar” ou “fazer”. Ora, isto é insus­tentável, e podemos afirmar, com absoluta segurança, serem errôneas neste ponto, tanto a versão Septuaginta como a dos jeovistas.

Os especialistas em línguas semitas, destacando-se o douto F. C. Barney, afirmam que o verbo hebraico qâ­nâh tem o sentido de “gerar” (coisa bem diferente de “criar, como veremos adiante), “obter” e especial­mente o sentido de “possuir”; nunca, porém, o de “fa­zer” ou “criar”. Trata-se aí de um equívoco da versão dos Setenta, endossado pelos jeovistas.

Para maior compreensão, vamos recompor os três versículos em debate, grafando o original hebraico transliterado com a tradução colada, ipsis verbis:

           YEHVEH     QANANΠ     RÊI’SHITH    DARKÔ
O  Senhor (me) possuía (no) princípio (de)(seu) caminho
                         
                               QÊDHEM  MIPHALAIV   MÊ’AZ.
(da) antiguidade     (suas) obras       desde.

MÊ’ÕLAM                   NISSAKTI     MÊR’ISH
Desde a eternidade        fui ungida      desde a origem


                               MIQQADMEI-’ REÇ
                        antes do começo (da) Terra

         Be’ YN-TeHIMÔTH                                    CHÕLALTI.
fui gerada
Quando (não havia) profundezas

Transpostos, logicamente, em bom português, teremos:


“O Senhor me possuía no início de Seu caminho, desde as Suas obras mais antigas. Desde a eternidade fui ungida, desde a origem, antes de existir a Terra. Fui gerada antes que houvesse abismos.”


A chave do sentido encontra-se na exata tradução dos verbos. Analisemos os três casos que estamos considerando:

1 º. No versículo 22 aparece o verbo qânâh, cuja tradução mais exata é possuir, no imperfeito. A propósito,   “O Novo Comentário da Bíblia”   de F. Davidson, comentando o versículo, afirma:

Possuiu, tradução dada pelas versões em português, significaria que desde o principio a sabedoria de Deus estava com Deus: Deus é chamado de o Possuidor (raiz qânâh) dos céus e da Terra, em Gênesis
14:19 e 22....
“A referência aqui não é que a Sabedoria foi o primeiro ser criado, pois a sabedoria de Deus certamente é inseparável dEle; pelo contrário, devemos entender por isso que a Sabedoria estava com Ele desde toda a eternidade”.

2o. No versículo 23, aparece o verbo nassak, que al­guns vertem por “estabelecer”. Traduzimo-lo num par­ticípio passado. Os melhores léxicos hebraicos lhe dão vários sentidos: (1) “derramar”, (2) “fazer libações”, (3) “instalar”, (4) ‘‘tecer’’ (5) “ungir”. A tradução Al­meida clássica verteu-o por “ungir”, que preferimos, embora o erudito B. Metzger admita que a raiz sãka sig­nifica “unir estreitamente”, o que também aceitamos e valoriza a tese que defendemos. O comentário bíblico de Davidson, já citado, assim comenta o verso 23:

Ungida pode referir-se à nomeação da Sabedoria, por Deus, para Sua tarefa. Essa palavra é usada no sentido de consagrar... A sabedoria precedeu todos os seres criados e até mesmo as profundezas primevas. Mas isso ainda não é tudo. A sabedoria não só esteve presente na criação, mas serviu de medianeira na mesma.”

3o. No versículo 24 há o verbo chul a que os bons dicionários dão o sentido de “contorcer”, “agitar”, “tremer” e, em pouquíssimos casos, “gerar”. Qualquer que seja o sentido de chul (chôlalti devido à desinência), é todavia incabível dar-lhe sentido de um nascimento físico, pelo fato de toda a passagem ser uma espécie de parábola. O sentido é metafórico, figurativo e isso é importante. Também estaria dentro da lógica do hebraico traduzir-se: “Antes de haver abismos, eu vibrei.” Cremos honestamente que o que Salomão quis dizer, referindo-se à Sabedoria de Deus foi isto:

“Eu estava com Deus no princípio (e isto concorda plenamente com S. João 1:2: ‘Ele estava no principio com Deus’) ou no princípio de Seus caminhos, ou de Seus planos na insondável economia divina. Desde a eternidade fui ungida, desde o principio (...) Apareci antes de haver abismos.”

Tudo, porém, indica incomensurabilidade de tempo, pois a linguagem metafórica do texto indica a eternidade da sabedoria, ou de Cristo: sempre presente em Deus, em qualquer tempo presente com
Deus, desde a eternidade presente com Deus, fusionada com Deus.

Replicam as chamadas testemunhas de Jeová que as expressões “antes das obras antigas”, “antes do começo da Terra” e semelhantes por si só indicam um tempo em que Cristo surgira e, portanto, fora criado. O argumento não colhe. No Salmo 90, por exemplo, Jeová também é referido desta forma:

“Senhor [no original: Jeová] (...) antes que os montes nascessem e se formassem a Terra e o mundo (...) tu és Deus.”

E aqui os neo-russelitas não interpretam que Jeová haja sido criado em algum tempo antes da formação do mundo. Por que não o fazem?

Também em Dan. 7:9 e 13, Deus o Pai, como supre­mo Juiz, é descrito como o “Ancião de dias”; contudo Ele é eterno. Ninguém admitiria que, pelo fato de ser metaforicamente descrito como uma Entidade “de dias”, haja  Ele tido um começo ou um nascimento. A Bíblia deve ser interpretada com bom senso e imparcialidade, distinguindo o figurativo do real. Para fugirem à evidência, os jeovistas não aceitam a interpretação cor­reta do “Ancião de Dias”.

O douto Bruce Metzger, referindo-se à pretensão dos jeovistas em relação a Prov. 8:22, aduz:


“É um caso flagrante de exegese estrábica abandonar a corrente representação neotestamentária de Jesus Cristo como Ser incriado, e lançar mão de uma interpretação contestada de um versículo do Velho Testamento como se ele fosse a única descrição satisfatória dEle. A metodologia própria é, sem dúvida, começar com o Novo Testamento, buscando neles vislumbres, tipos e profecias cumpridas em Jesus Cris­to”
—           Jehovah Witnesses and Christ, pág. 87.

Aí está o caminho sensato e correto que os jeovistas deveriam seguir, para não inverterem a pirâmide.

Judiciosamente o SDA Bible Commentary faz a seguinte consideração sobre a passagem em lide:

“A passagem é alegórica, e deve-se exercer muito cuidado em não forçar uma alegoria além daquilo que o escritor do original tinha em mente. As interpretações extraídas dela, têm que estar sempre em har­monia com a analogia das Escrituras. Alguns têm buscado aqui apoio para a idéia de que houve um tempo em que Cristo não existia, e que Ele fora criado, ou gerado pelo Pai como o princípio de Sua obra em estabelecer um Universo ordenado e habitado. São incabíveis conclu­sões dogmáticas extraídas de passagens figurativas e parabólicas. Os resultados desvirtuados desse procedimento podem ser vistos, por exemplo, na interpretação popular da parábola do rico e Lázaro (S. Luc. 16:19-31). A comprovação de crenças doutrinárias sempre deve ser buscada nas declarações textuais, literais da Bíblia. E declarações explícitas sobre o assunto em causa acham-se em Miquéias 5:2; S. João 1:1; 8:54 e outros lugares. Conquanto haja, sem dúvida, uma referência a Cristo, Ele ai é apresentado na figura da sabedoria. Outro exemplo de aplicação figurada, ver em Ezeq. 28 onde o ‘rei de Tiro’ é, em parte, apresentado como figura de Satanás.”

O Sr. A. Neves de Mesquita, em seu livro “A Dou­trina da Trindade no Velho Testamento”, págs. 135 e 136, assim comenta o sentido da alegoria de Salomão, destacando cinco pontos:


                   O ápice desta alegoria encontra-se no oitavo capítulo, versos 22-31.
(1)     No principio de tudo, era a sabedoria;
(2)     ela estava no princí­pio com o Senhor, e ‘foi ungida antes que a Terra tivesse seus funda­mentos lançados’;
(3)     foi gerada antes que a Terra existisse, ‘e antes que os montes se levassem’ já existia;
(4)     quando o Senhor preparava o cosmos, lá estava ela, e antes dos fundamentos da Terra serem postos, lá a sabedoria se fazia ouvir;
(5)     ela era a alegria do Senhor, e, co­mo se alegraram os anjos, pela fundação do Universo, assim se alegrava a sabedoria pelo surgimento das coisas.”

Concluir que a alegoria de Provérbios 8 prove a criação ou o nascimento de Cristo é vesguice exegética, ou oposição enfermiça à Divindade do Filho de Deus!

Á luz de todas estas informações, não é difícil entender-se o sentido de Prov. 8:22-24. Que Deus ilumine os sinceros!

ARTIGOS SOBRE A TRINDADE - O JESUS REAL


                     O  Jesus  Real



         Teorias que negam que o Jesus da história e o Cristo da fé

               sejam o mesmo personagem não têm fundamento.

Rorigo Pereira da Silva
Teólogo




Jesus não nasceu em Belém, a res­surreição não aconteceu de ver­dade e a maior parte dos evange­lhos não passa de mito! Esta foi a tese de alguns teólogos do século 18, que, usando métodos e críticas racio­nalistas, duvidavam da veracidade histórica dos quatro evangelhos cris­tãos. Mateus, Marcos, Lucas e João seriam, nessa ótica, meros roteiristas de uma novela que teria pouco ou nada a ver com a realidade dos fatos.
De tempo em tempo, o debate acerca de Jesus volta à tona em mui­tos círculos acadêmicos. Hoje, com o alcance da midia, o assunto acabou saindo do rol de especialistas e ga­nhou terreno na sociedade. Afinal, a história de Jesus ainda é um tema que mexe com muita gente. Sua doutrina influencia direta ou indiretamente mais de dois bilhões de pessoas em todo o mundo. Só o Natal, festa mais popular do cristianismo, movimenta cifras capazes de enlouquecer qual­quer calculadora.
Mas o que poderia ser dito dessa onda de ceticismo em relação aos evangelhos? Seria a Bíbia apenas um conjunto de lendas com a finalidade de fazer os crentes acreditarem em fa­tos que jamais existiram? E curioso o número cada vez maior de “céticos” que gastam sua vida escrevendo sobre Jesus. Mesmo negando Sua história ou descrendo de Sua mensagem, eles parecem ser os maiores aficcionados do Mestre de Nazaré, pois a energia que desprendem discutindo e mon­tando semináros sobre os evangelhos chega a ser maior do que a de muitos religiosos de carteirinha. Nem mes­mo os Beatles, Elvis ou Hitler tiveram fãs e inimigos tão dedicados. Pena que suas conclusões não sejam tão ra­zoáveis quanto seu empreendimento.

Seminário de Jesus É provável que, dentre os mais conhecidos fõruns de debate promovidos pelos questiona­dores da Bíblia, nenhum seja tão fa­moso e agitador quanto o Jesus Semi­nar, ou Seminário de Jesus, realizado duas vezes por ano na América do Norte. Iniciado em 1985 por Robert W. Funk, professor e fundador do Instituto Teológico Westar da Califór­nia, o Seminário de Jesus já reúne mais de cem membros dispostos a se­parar, como eles mesmos dizem, o joio do trigo em termos de conteúdo bíblico, ou seja, apontar o que é e o que não é histórico em se tratando da vida de Jesus Cristo. Eles querem “li­bertar” Jesus dos “mitos”.
Contrariando, porém, sua preten­são acadêmica e sua promessa de im­parcialidade, os membros do Seminá­rio assumem muitas vezes posições tendenciosas que se valem de méto­dos altamente questionáveis. Mesmo assim, suas declarações mescladas de dúvida e sensacionalismo jornalístico acabam influenciando leitores no mundo inteiro. Nos últimos anos, vários jornais e revistas têm feito repor­tagens inspiradas na mesma filosofia cética do Seminário de Jesus, ainda que esse nome não figure explicita­mente em suas páginas.
Na prateleira dos best-sellers, são muitos os autores que constroem seu enredo na base da dúvida e do criticis­mo. Um exemplo disso foi o lança­mento do livro Uma História de Deus, de Karen Armstrong. Nele, a autora afirma que os evangelhos foram pro­duzidos 40 anos após a morte de Cris­to e que seu conteúdo é uma mistura de poucos fatos históricos e muitos elementos míticos. Em sua opinião, é este o significado básico que o evange­lho nos apresenta: uma teologia mito­lógica sobre o Messias e não uma des­crição real dos fatos como acontece­ram. O Dr. Paul Barnett, um dos mais hábeis defensores atuais do Jesus his­tórico, alerta que “o cristianismo está no momento enfrentando um de seus mais profundos desafios”. Calcula-se que, da década de 1980 para cá, foram publicados mais de 300 livros e artigos tentando “redefinir” o Jesus histórico.
Neste mesmo barco da incredulida­de encontram-se nomes conhecidos da teologia como John Dominic Cros­san, Robert Eisenman, Haim Cohn e outros que têm seus livros disponíveis em muitos idiomas, inclusive o portu­guês. Sua análise, contudo, parece muitas vezes uma vitamina de credu­lidade misturada com ceticismo, pois defendem a doutrina de Jesus (muitos deles são religiosos) sem valorizar a história que a sustenta.
Ora, e justamente ai que reside uma amostra de como determinados autores cometem o erro de avaliar a Bíblia com óculos exclusivamente modernos e ocidentais, ignorando por completo as raízes do tempo e lu­gar em que ela foi escrita. Na Grécia e no Oriente Antigo, a palavra evan­gelho era um termo técnico usado desde Homero para indicar basica­mente duas coisas: “boa noticia” (principalmente sobre vitórias milita­res) e “recompensa pela boa noticia”.
No ano 9 a.C., evangelho já era um termo comum usado em documentos oficiais da Ásia para indicar fatos his­tóricos como o nascimento de Augus­to e o inicio do ano civil. Transforma­do em estilo literário, evangelho pas­sou a ser uma narrativa que demanda uma história real por detrás de sua mensagem. Logo, seria forçar o seu
significado original entendê-lo como novela, parábola ou mito teológico.
Se um judeu, grego ou romano dos dias de Cristo avançasse no tempo e ouvisse hoje o significado mitológico que muitos dão à palavra evangelho, ele certamente estranharia esse conceito. Seria o mesmo que definir o sal como “um elemento que adoça os sucos”. Ou seja, algo totalmente sem sentido.

Em busca de evidências Não é somente de críticos que se alimenta a biblio­grafia de Jesus Cristo. Autores como Otto Borchert, Randall Price e Vitório Messori são alguns dos muitos que ainda defendem a realidade histórica dos evangelhos. Escrito por vários es­pecialistas, o recém-lançado Essential Jesus (Jesus Essencial), sem tradução para o português, é um livro que pro­mete incomodar os críticos e questionadores, pois fala da Bíblia como livro autên­tico em nada mitológico ou digno de correção.
Para quem não lê em in­glês, uma boa dica é o lança­mento no Brasil do livro Em Defesa de Cristo. Seu autor Lee Strobe1, foi por muitos anos ateu e jornalista inves­tigativo do Chicago Tribune. Através de entrevistas com os maiores especialistas em arqueologia, história e lín­guas antigas, ele investiga detidamente as provas em favor da existência de Jesus Cristo. Suas conclusões são simplesmente fascinantes.

Quanto aos céticos, é fácil encon­trar o motivo racional de seus ques­tionamentos. A história de um ho­mem que em sã consciência se decla­ra Deus, multiplica pães para milha­res, anda sobre as águas e ainda res­suscita dentre os mortos parece fan­tástica demais para a mente de alguns. Mas e quanto aos acadêmicos que ain­da insistem em acreditar nos evange­lhos? Em que baseiam sua certeza?

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                                    TRÊS TESTEMUNHOS


“Escrever a assinatura humana no próprio Tempo, por um nome humano no cume de sucessivos séculos, é uma façanha maravilhosa. César não conseguiu, nem Shakespeare, nem Newton. A genialidade é incapaz de conseguir este feito; a espada é incapaz. Mas este judeu [Jesus] conseguiu.”
W. H. Fitchett, em The Unrealized Logic of Religion (Londres: Epworth, 1922)

‘Um homem que fosse só um homem, e dissesse as coisas que Jesus disse, fio seria um grande mestre de moral: seria ou um lunático, em pé de igualdade com quem diz ser um ovo cozido, ou então seria o Demônio. Cada um de nós tem de optar por uma das alternativas possíveis. Ou este homem era, e é, o Filho de Deus, ou então foi um louco, ou algo pior.”
C. S. Lewis, em Cristianismo Puro e Simples (São Paulo: ABU, 1992)

“Eu devo admitir que Jesus modificou muitas de minhas rudes e impalatáveis noções sobre Deus. Por que eu sou um cristão? Algumas vezes eu me pergunto, e para ser honesto as razões se reduzem a duas: (1) a falta de alternativas e (2) Jesus. Brilhante, indomável, suave, criativo, esperto, irredutível, paradoxalmente humilde, Jesus está acima do escrutí­nio. Ele é quem eu quero que o meu Deus seja.”
    Philip Yncey, em The Jesus I Never Knew (Grand Rapids: Zondervan, 1995)
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Em primeiro lugar, eles se baseiam na fé, que é um elemento importante no processo do entendimento. Como disse Anselmo, um teólogo escolásti­co da Idade Média, “não procuro en­tender para crer, mas creio para de­pois entender; pois creio de tal modo que, se não cresse, não entenderia”. De fato, mesmo o pesquisador mais cético deve admitir que sua análise sempre encontrará elementos que fo­gem à investigação e necessitam ser aceitos pela lógica imaginativa, que é um tipo de fé.
Há. porém, outros elementos que podem ser verificados e aca­bam contribuindo tremendamente para a confiança no relato dos evangelistas. Logo, não há nenhu­ma dívida da fé em relação à racio­nalidade. Há apenas aqueles que, mesmo em face de evidências, in­sistem no vício da negação.

Nas pegadas de Jesus São muitas as evi­dências que ajudam a estabelecer a confiança na história de Cristo. Veja algumas delas:

    Preservação do texto original. Existem hoje cerca de 5.300 manus­critos gregos do Novo Testemento,
8.000 da Vulgata Latina e 9.300 de outras versões primitivas. Segundo a papirologia (que estuda documentos antigos), esse é um número muito mais abundante para se trabalhar do que o segundo mais autenticado do­cumento da antiguidade, que é a  Ilíada de Homero, da qual só restam 643 manuscritos.
•  Existência de Jesus. Referências a Jesus Cristo são feitas em documen­tos bem preservados do 1o. século. Historiadores e políticos romanos como Suetônio, Tácito, Trajano e Plí­nio O mencionam pelo nome. E fon­tes judaicas como o Talmude e Josefo também parecem aludir à Sua pessoa.
•  Fatos comprovados. Várias práti­cas descritas nos evangelhos estão hoje confirmadas pela História como procedimentos reais de 10 século. O censo romano, os impostos e o cruri­fragíum (quebrar ossos para apressar a morte de um crucificado) são ape­nas alguns exemplos.
•  Precisão histórica. A descrição geográfica e política do relato de Lu­cas é, na opinião de. muitos especia­listas, tremendamente precisa. Mes­mo os questionadores admitem isso. Suas referências a 32 paises, 54 ci­dades e 9 ilhas não possuem um erro sequer. Seu relato, segundo o arqueólogo John McRay está mais para um dossiê jurídico do que para um enredo novelístico.
•  Honestidade literária. Para se tornar uma obra mitológica, os evan­gelhos precisariam ser bastante modi­ficados em seu conteúdo atual. Eles contam de um Cristo que teme a pró­pria morte, conversa com mulheres em público, proclama-Se Deus num ambiente judaico e ainda termina pendurado numa cruz. Ora, esses não eram, na época, elementos muito atrativos para uma narrativa mitoló­gica que se pauta pelo exagero e a ocultação de qualquer coisa que pu­desse escandalizar os leitores.
•  Personagens descobertos. Vários nomes citados nos evangelhos, que foram por algum tempo considerados fictícios pelos críticos, têm sua reali­dade histórica comprovada pelos ar­queólogos. Herodes, Pilatos, Caifás e João Batista são alguns dos que já saí­ram da lista de mitos idealizada pelos questionadores.
Pelo visto, o debate sobre Jesus pro­mete ser longo e cada vez mais inten­so. Hoje, mais do que nunca, procede repetir a pergunta do Mestre direcio­nada a Seus discípulos: “Quem dizem as pessoas que é o Filho do homem?” E, depois de algumas respostas, a mais importante de todas as perguntas: “E vós, quem dizeis que Eu sou?”
Como disse o próprio Jesus, em João 8:24, se não crermos que Ele é quem diz ser, morreremos todos em nossos pecados.


Sinais dos Tempos      Novembro-Dezembro/2002

sábado, 2 de agosto de 2014

ARTIGOS SOBRE A TRINDADE - DEUS E A HISTÓRIA


Deus e a História
Não é a fraqueza humana que age no lugar da ação divina
por Rodrigo P. Silva


 O modo como Deus atua na História é um dos temas mais discutidos no mundo teológi­co. Alguns, enfatizando por demais a soberania divina, acabam negando a idéia de um livre-arbítrio. Outros, por sua vez, acentuam tanto os resultados da ação humana que tornam Deus pouco mais que um es­pectador dos acontecimentos sem quase nenhuma intervenção nos ne­gócios da Humanidade.
Na verdade, quando estudo a his­tória dos debates teológicos, percebo que a heresia sempre surge quando se acentua excessivamente um aspecto da revelação em detrimento de Outro. Por exemplo, os que enfatizam tanto a Lei a ponto de negar a Graça e vice-versa.
O mesmo se dá com o assunto da atuação divina nos negócios da hu­manidade. Seria muito simplório di­zer que tudo o que acontece é resultado da vontade divina. Isso acabaria colo­cando a Trindade como o responsável por tudo o que existe, inclusive o mal.
Mesmo sendo Deus todo-podero­so, há acontecimentos que podem esca­par à Sua vontade ou até frustrar Seus planos. Ora, como todos sabem, não era determinação do Criador que Adão pe­casse, muito menos que pessoas mor­ressem sem salvação. Contudo, há mais ou menos seis mil anos o pecado faz seu hiato na linha da eternidade. Alguns aceitam a Cristo, enquanto outros O re­jeitam para sempre. Isso, com certeza, não estava nos planos do Altíssimo.
Mas ninguém deve se apressar em concluir que Deus não sabia o futuro ou que existe no Universo algo mais forte que o Seu poder. Foi o próprio Se­nhor, por Sua autodeterminação, que resolveu criar seres livres, capazes de voltar-Lhe as costas e recusar Sua graça. Ao amar a humanidade, Ele aceitou a possibilidade de ser rejeitado por ela!
Aqui, portanto, o ponto-chave des­te tema é a conciliação entre as ações di­vina e humana na construção da histó­ria mundial. Quem, afinal, está escre­vendo a história e os acontecimentos que ela contém? Deus ou o ser humano?
A Bíblia, na verdade, acentua três modos da ação divina em meio aos acontecimentos mundiais. O primei­ro é aquele em que Deus apenas res­peita o livre-arbítrio humano e per­mite ao indivíduo colher os frutos de sua própria decisão. L o caso, por exemplo, de Acaz que, recusando-se a ouvir a mensagem de Deus, terminou mal o que poderia ter sido um grande reinado (Isa. 7:10-25).
O  segundo é aquele em que Deus apenas retira Sua proteção, deixando ao inimigo a oportunidade de agir provocando até mesmo doenças e de­sastres na natureza. O caso de Jô  ilus­tra bem essa situação (Jó 2:6 e 7).
O  terceiro e, talvez mais impor­tante, é aquele em que Deus mesmo intervém agindo na História. Neste modo, Ele, em pessoa, pode executar Seu juízo (como no caso em que es­creveu sobre a parede a sentença con­tra Belsazar, Dan. 5) ou, quem sabe, enviar um anjo destruidor como na noite em que foram mortos todos os primogênitos do Egito (Êxo.12:23).
Pensando neste último ponto, tenho em mente um recente artigo que publi­quei na Revista Adventista (agosto, 2000). Nele apontei os “desastres ecológicos” co­mo o melhor comentário de Apocalipse 16. E importante, porém, deixar claro duas coisas: 1) Os juízos que hoje presen­ciamos são apenas gotas daquilo que virá depois do fechamento da porta da graça. As sete pragas serão de natureza muito mais aterradora, pois não possuirão a presente mistura de misericórdia. 2) Em­bora as sete pragas sejam fruto da trans­gressão, não devemos entender o homem como o executor último de sua própria sentença. Não é a fraqueza humana que age no lugar da ação divina.
Ali, naquele tempo de angustia, o qual nunca houve, teremos, a meu ver, os três modos acima descritos: Com a
retirada do poder refreador de Deus (simbolizado pelos quatro anjos de Apoc. 7) Satanás operará quase irrestri­tamente sua obra de destruição. Tam­bém haverá um amargo desfruto po­pulacional das conseqüências do peca­do humano. Porém, mais importante que isso, Deus cm pessoa estará pesan­do Sua mão sobre o planeta, provocan­do no ambiente os flagelos que vêm di­retamente do Seu trono. Noutras pala­vras, mais do que poluição humana, ou destruição satânica, as sete pragas serão atos de Deus punindo a rebeldia.
Ë lógico que não podemos pene­trar nos desígnios da mente do Altíssi­mo. Mas, pela Revelação Bíblica, é possível rastrear Suas pegadas na His­tória e verificar que muitos aconteci­mentos foram ação direta de Deus, ora enviando um exército destruidor, ora provocando um terremoto em meio à natureza. Episódios como o Dilúvio, o Êxodo e as próprias Pragas contêm um tom sobrenatural que extrapola as di­mensões do que poderia realizar o ho­mem ou o curso natural dos eventos.
Um juízo para ser autenticamente divino tem de possuir um sinal que só Deus pode colocar, porque Fiel é abso­luto. Esse sinal tem de ser algo que su­pere todas as hipóteses terrenas. Um fato externo que ultrapasse os ele­mentos visíveis. E assim que vejo esses desastres ecológicos: muito acima da ação humana, há uma intervenção di­reta de Deus que imprime Sua digital nos juízos que caem sobre a Terra.
Como adventistas, cremos num Deus que age e põe nos acontecimen­tos a marca viva de Sua assinatura.

Rodrigo P Silva é professor de Ensino Superior do IAE-Campus 2, Engenheiro Coelho, SP


Revista Adventista    novembro/2000

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